Avanços digitais ajudam a garantir segurança e eficiência no abastecimento de medicamentos, com menor custo e menos desperdício
Por Eduardo Zanetti, sócio e diretor de Saúde, Segurança e Serviços Públicos da Falconi
A gestão da cadeia de suprimentos no setor farmacêutico é fundamental para garantir que os medicamentos cheguem aos pacientes com qualidade, segurança e pontualidade. Cada etapa do processo, da produção à entrega, deve ser coordenada para garantir integridade, padronização e disponibilidade. Com o apoio da tecnologia e da análise de dados, esse processo pode se tornar mais ágil, econômico e sustentável.
Soluções digitais permitem um controle mais preciso da movimentação dos insumos e ajudam a manter a integridade dos produtos durante todo o trajeto. O uso de dados em larga escala antecipa tendências de consumo e ajusta os níveis de estoque, reduzindo perdas por escassez ou excesso. Há casos em que a adoção de sistemas inteligentes reduziu em até 25% o tempo médio de permanência dos produtos em estoque. A ruptura, quando o medicamento está indisponível, caiu mais de 50%. Em alguns casos, o descarte de produtos foi reduzido em até 46%, o que representa queda direta em custos com perdas por validade vencida, vida útil reduzida ou avarias.
A complexidade da cadeia logística exige o acompanhamento constante de indicadores como nível de serviço, rotatividade de estoque, percentual de pedidos entregues no prazo, custos operacionais e índice de devoluções. A natureza regulada do setor impõe ainda desafios como controle rigoroso de qualidade, rastreabilidade completa até o ponto de entrega, resposta a emergências e integração tecnológica em larga escala.
Ferramentas como radiofrequência (RFID), Internet das Coisas (IoT) e blockchain têm sido adotadas por empresas para rastrear estoques em tempo real, aumentar a segurança e prevenir fraudes. Segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), 42% das empresas do setor já incorporaram sistemas avançados de gestão e rastreamento. Além disso, algoritmos de previsão contribuem para o planejamento da produção e da distribuição. A automação dos centros de distribuição melhora a precisão e reduz falhas na separação e embalagem dos itens. Tudo isso garante que o medicamento certo esteja disponível no momento e local adequados, e com menor custo.
Por fim, uma cadeia de suprimentos bem gerida protege a integridade dos medicamentos desde a origem até o paciente. Reduz os riscos de contaminação, uso indevido ou adulteração. E cumpre o propósito maior de quem atua no setor: ampliar o acesso e melhorar a saúde da população.


