Apesar de movimentar cerca de US$ 10 trilhões por ano globalmente, o setor da construção civil registra um crescimento médio de produtividade de apenas 1% ao ano, segundo a McKinsey & Company, um dado que evidencia um desafio estrutural e reforça a urgência de novos modelos de gestão e execução de obras. É nesse cenário que a incorporação de dados, inteligência artificial e modelagem digital ganham destaque.
Para o engenheiro e pesquisador Pedro Rodrigues de Castro Jalles, a incorporação da tecnologia representa uma virada de chave na forma como o setor opera. “Não se trata apenas de eficiência, mas de uma nova lógica operacional. A obra deixa de ser um ambiente de incerteza e passa a funcionar como um sistema orientado por previsibilidade, dados e controle”, afirma.
Nesse contexto, tecnologias como o BIM (Building Information Modeling) assumem papel central ao integrar, em um único ambiente, informações de projeto, orçamento, cronograma e execução. Essa centralização permite mais colaboração entre equipes e decisões mais assertivas, baseadas em dados atualizados e consistentes ao longo de todo o ciclo da obra.
A integração com inteligência artificial amplia ainda mais esse potencial. A partir da análise de históricos e grandes volumes de dados, sistemas conseguem identificar padrões de atraso, antecipar riscos e sugerir ajustes em tempo real. Na prática, isso se traduz em redução de retrabalho, mais controle de custos e mais previsibilidade financeira. “Ao antecipar gargalos com base em dados, as empresas deixam de atuar de forma reativa e passam a tomar decisões mais estratégicas”, destaca Jalles.
Outro avanço relevante está no uso de dados em larga escala, ou seja, informações sobre produtividade de equipes, consumo de materiais, desempenho de equipamentos e até condições climáticas passam a ser monitoradas continuamente, permitindo ajustes mais precisos e dinâmicos ao longo do projeto.
Apesar dos avanços, a adoção desse modelo ainda enfrenta desafios importantes, especialmente relacionados à cultura organizacional e ao nível de maturidade digital das empresas. “O principal obstáculo não é tecnológico, mas cultural. É preciso compreender que os dados passaram a ocupar o centro da tomada de decisão”, avalia o especialista.
À medida que a digitalização avança, a engenharia civil se aproxima de um modelo mais inteligente, conectado e orientado por evidências. Nesse novo cenário, decisões deixam de depender exclusivamente da experiência individual e passam a ser guiadas por análises e previsões. Mais do que uma tendência, a engenharia baseada em dados redefine padrões de eficiência, competitividade e controle, consolidando a informação como um dos principais ativos estratégicos do setor.
Construção civil: preços em queda abrem oportunidades – Jornal Empresas & Negócios




