Tendências do comércio: crescimento nos preços e baixa no consumo

Com base em um estudo especial sobre o comportamento dos índices de inflação durante a pandemia do novo coronavírus, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que a tendência para este ano é a de que, pelo menos em um primeiro momento, os valores praticados pelo varejo aumentem e o consumo caia, especialmente entre as famílias de baixa renda.

A análise mostra que, no ano passado, os indicadores de preços dos setores da produção industrial subiram significativamente, descolando-se dos índices de preços ao consumidor final, após uma década caminhando juntos. Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a desorganização dos preços formados nos mercados produtores, com falta de insumos, importados mais caros, dólar alto, elevação das commodities e aumento dos custos das empresas, pode ser percebida com maior proporção nos indicadores do atacado do que nos preços ao consumidor.

“Se as empresas do varejo não conseguem suportar o aumento de preços da esfera da produção e do atacado, acabam sacrificando a margem de lucro e, quando é possível, fazem repasses que elevam os preços finais, impactando as decisões de compra dos consumidores”, afirma Tadros. A CNC analisou a evolução dos preços na última década e concluiu que eles praticamente caminharam juntos entre 2011 e 2019.

Em 2020, contudo, a crise da covid-19 provocou um choque nesta relação de equilíbrio, acarretando variações atípicas dos preços. A partir do ano passado, os agentes que possuíam contratos atualizados pelo IGP-M tiveram reajuste muito superior ao aumento dos contratos reajustados pelos índices de preço ao consumidor (INPC e IPCA). Fenômeno que tem persistido.

“O Banco Central tem demonstrado preocupação e atuado no sentido de elevar a taxa básica de juros para conter o movimento de alta nos preços”, indica o economista, ressaltando que, por causa da inflexibilidade que os preços possuem para baixar, os produtos industriais de uma maneira geral ficaram bem mais caros, principalmente considerando os aumentos do combustível e da tarifa de energia elétrica, juntamente com o câmbio. (Gecom/CNC).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap