Natalia Baranov (*)
Nos últimos anos, o ecossistema de startups no Brasil registrou um crescimento notável, mas com desafios significativos. Dados divulgados pela Distrito indicam que, entre janeiro e setembro de 2024, startups brasileiras captaram US$ 1,46 bilhão em capital de risco, um aumento de 9,5% em relação a 2023.
Contudo, mais de oito mil negócios nesse modelo encerraram atividades na última década, sendo a falta de capital a principal causa desse índice.
Atualmente, um relatório da Startup Genome estima que existam 19 mil startups ativas no Brasil.
E, para navegar no cenário dinâmico de 2025, essas empresas devem adotar práticas de planejamento financeiro que alavanquem oportunidades, mitiguem riscos e promovam sustentabilidade. Elas são capazes de definir a sobrevivência corporativa.
Uma delas é a sustentabilidade financeira, que começa com um orçamento bem delimitado e o monitoramento contínuo de resultados. As startups precisam equilibrar gastos com fornecedores, folha de pagamento e tributação, enquanto garantem o recebimento pontual de clientes.
Por isso, adotar ferramentas de gestão que integrem análises de fluxo de caixa com relatórios de desempenho ajuda a alinhar receitas e despesas, evitando surpresas econômicas e pesos sobre a operação.
Em segundo lugar, a adoção de digitalização e automação é uma necessidade. Sistemas de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) acessíveis e plataformas de gestão financeira ajudam a otimizar processos, reduzir erros e melhorar a tomada de decisão com base em dados confiáveis. Investir nisso também pode gerar economias significativas ao diminuir a necessidade de processos manuais e aumentar a agilidade operacional.
Cada vez mais, consumidores e investidores também valorizam companhias alinhadas a princípios ESG (Ambientais, Sociais e de Governança). Empresas que incorporam práticas sustentáveis na rotina têm maior chance de atrair dinheiro e fidelizar clientes, tornando as iniciativas verdes um requisito competitivo.
Outra prática estratégica envolve a diversificação de financiamento. Startups frequentemente iniciam com investimentos de família e amigos (FF), migrando para fundos e investimentos-anjo, considerando o nível de maturidade, mas a dependência exclusiva de capital externo pode limitar o crescimento.
Em vez disso, é essencial explorar fontes complementares, como linhas de crédito incentivadas ou parcerias estratégicas, além de reinvestir lucros. Gerar resultados consistentes é uma das melhores formas de evitar rodadas de captação desnecessárias.
Por fim, prever diferentes cenários é uma prática possível e vital em um ambiente volátil. As projeções devem considerar contextos otimistas, realistas e pessimistas. Fatores como a reforma tributária e o impacto de juros elevados, por exemplo, precisam ser modelados para mitigar riscos e ajustar estratégias conforme necessário.
Além de proteger a operação, há um aumento na confiança de quem está envolvido no negócio. Setores como agricultura, educação e saúde, que demandam altos investimentos iniciais e adaptação a regulamentações complexas, apresentam desafios específicos para a implantação de novas soluções.
Por outro lado, várias outras áreas despontam com grandes oportunidades, especialmente com o uso de blockchain, IA e análise de dados. Alguns exemplos são a CargoX (logística), o OriginalMy (legaltech e govtech) e a Growth Tech (imobiliário). Para gestores com pouca experiência, a recomendação é priorizar a educação continuada e a consultoria especializada, mantendo uma atualização constante sobre as condições macroeconômicas.
Adaptar-se às tendências de 2025 exige mais do que uma boa ideia; é necessário alinhar inovação, digitalização e sustentabilidade com uma gestão financeira rigorosa. Somente dessa forma as startups têm uma chance não só de prosperar, mas de liderar a transformação do mercado.
(*) – É Diretora Executiva de Finanças da startup Unlog (https://www.unlog.com.br/)

