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Serviços perdem força e desaceleram no acumulado do ano

em Economia
quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Segmentos de serviços, varejo e indústria mostram gangorra na economia

O setor de serviços perdeu ritmo no Brasil. Em julho, o volume de atividades ficou estável, com variação de 0,0% em relação a junho, mês em que já havia crescido apenas 0,1%, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,2%.

Na comparação com julho de 2025, o setor cresceu 0,9%. Já a taxa acumulada em 12 meses desacelerou de 2,6% para 2,4%, confirmando a perda de fôlego do segmento que concentra grande parte dos negócios e dos empregos no país.

Já nos Estados Unidos, o cenário é diferente. O setor de serviços chegou em agosto ao 26º mês consecutivo de expansão. O índice medido pelo Institute for Supply Management (ISM) subiu de 54,1 pontos em julho para 55,4 pontos em agosto. Resultados acima de 50 indicam crescimento da atividade. Foi o desempenho mais forte dos últimos seis meses.

A movimentação também aparece no faturamento. Segundo o U.S. Census Bureau, as empresas de serviços pesquisadas movimentaram US$ 6,418 trilhões no segundo trimestre de 2026, com crescimento de 3% em relação aos três primeiros meses do ano e de 7,6% na comparação com o mesmo período de 2025.

Comunidade brasileira

É nessa onda de expansão que empresários brasileiros vêm construindo empresas que faturam em dólar. No último sábado, 12, quase 300 empreendedores dos setores de limpeza, construção, paisagismo, estética e outras áreas de serviços lotaram o Lume Scale 2026, em Mint Hill, na região de Charlotte, Carolina do Norte (como noticiamos neste espaço). A previsão inicial era receber 200 participantes, mas o encontro atraiu quase cem empresários a mais, vindos de diferentes partes dos Estados Unidos.

“A resposta do público mostrou que existe uma comunidade brasileira muito maior do que se imagina construindo empresas nos Estados Unidos e buscando conhecimento para crescer de maneira organizada. Encontramos pessoas de diferentes regiões, setores e estágios do negócio, mas com desafios muito parecidos”, afirma Amanda Antunes Domiciano, cofundadora da Lume Education e uma das organizadoras do encontro.

O avanço das empresas comandadas por brasileiros ocorre em meio ao crescimento da própria comunidade no país. O Ministério das Relações Exteriores estima que pouco mais de dois milhões (ou, mais exatamente 2,085) de brasileiros vivam nos Estados Unidos, onde está a maior comunidade brasileira fora do Brasil.

Varejo está positivo 

O varejo brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 2,9%. É o que revelam os dados consolidados do Mastercard SpendingPulse™, indicador que mede as vendas do varejo físico e online contemplando todos os meios de pagamento (sem ajuste inflacionário). O levantamento mostra que, após um início de ano mais tímido, com alta de 1,6% no primeiro trimestre em relação aos três primeiros meses de 2025, o consumo das famílias ganhou tração no segundo trimestre, avançando 4,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A análise semestral, que monitora 11 setores da economia, revela uma mudança no padrão de consumo do brasileiro. Enquanto setores ligados a serviços e bens de consumo imediato registraram altas consistentes nos seis primeiros meses do ano, bens duráveis enfrentaram retração.

O grande motor do varejo no semestre foi o setor de bares e restaurantes, que registrou crescimento consolidado de 10,7% na primeira metade do ano, sustentando taxas de 10,1% no 1º trimestre e 10,4% no 2º trimestre. O setor de farmácias também demonstrou resiliência, com altas consistentes de 9,9% e 9,0% no primeiro e segundo trimestres, respectivamente. Já o setor de combustível automotivo chamou atenção ao saltar para 12,7% no segundo trimestre, refletindo a volatilidade dos preços do petróleo.

Em contrapartida, os consumidores adotaram uma postura mais cautelosa em relação às compras de maior valor. O setor de móveis e decoração apresentou desaceleração ao longo do primeiro semestre do ano (-4,7% no 1º trimestre e -3,7% no 2º trimestre), enquanto o segmento de eletroeletrônicos recuou 4,7% entre abril e junho.

“O balanço do primeiro semestre reforça a resiliência do consumidor brasileiro, que manteve o dinamismo em setores ligados à convivência e bem-estar, como restaurantes”, analisa Gustavo Arruda, Economista-Chefe para a América Latina do Mastercard Economics Institute (MEI). “Por outro lado, o cenário macroeconômico fez com que o consumidor adiasse compras que exigiam maior planejamento financeiro, como móveis e eletrônicos, o que ainda representa uma oportunidade de retomada para o varejo nestes segmentos ao longo do ano”.

Indústria tem pé atrás

Na edição deste último dia 17, publicamos a grita da indústria, com base em pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referente ao mês de agosto: um terço das indústrias deverão ter aumentado suas dívidas bancárias nos próximos meses, em função da necessidade de mais operações de financiamento. Sobre a queda de 0,25% ponto percentual, anunciada pelo Banco Central para a taxa Selic, na quarta-feira, a CNI defende a manutenção “do ciclo de flexibilização monetária”.