
Empresas carregam excesso de dados e escassez de análise junto
Estudo da Live University\Inbrasc revela que 88% das empresas usam IA apenas para tarefas corriqueiras, enquanto pouquíssimas usam a tecnologia para tomar decisões estratégicas e minimizar riscos. E a sua, em que pé está? No geral, as empresas compraram a infraestrutura digital, mas ainda engatinham na hora de extrair inteligência do negócio.
Imagine a cena: sua empresa tem os melhores sistemas do mercado, acumula planilhas e relatórios quilométricos e tem dados de sobra acerca de cada etapa da operação. E quando um cliente liga cobrando uma entrega atrasada, ou um insumo crítico que falta na linha de produção, a resposta demora horas e, por vezes, dias. Se a cadeia de suprimentos da sua empresa passa por isso, bem-vindo ao clube, você não está sozinho. Na opinião do especialista em logística, Marcelo Zeferino, CCO da Prestex, esse fenômeno tem nome: obesidade de informação.
A primeira edição do Índice de Maturidade Tecnológica em Supply Chain (IMTS), elaborado pela Live University / Inbrasc, escancarou esse gargalo nas empresas brasileiras que produzem, transportam e entregam mercadorias. O estudo revela que quase todo mundo já usa tecnologia no básico (98% contam com sistemas ERP e 88% usam IA Generativa para tarefas rotineiras). O problema é o que vem depois: apenas 14% das empresas usam Agentes de IA de forma avançada para analisar dados, prever problemas ou antecipar riscos.
Na prática, as empresas brasileiras compraram a infraestrutura digital, mas ainda estão engatinhando na hora de extrair inteligência do negócio. “As empresas vivem uma época de ‘obesidade de informação´ e escassez de análise de valor. Muito mais importante do que ter um monte de dados, é saber o que fazer com eles”, alerta Marcelo Zeferino, especialista em logística ultraexpressa B2B.
Cliente quer agilidade
O cliente do B2Bvirou o cliente do B2C e não quer esperar. Segundo o executivo, parte dessa pressão vem de uma mudança radical no comportamento do mercado. Acostumado a comprar pela internet e receber o produto em poucas horas na porta de casa, o consumidor levou essa mesma exigência para o mundo corporativo. “Se há três anos receber no mesmo dia era um diferencial, hoje é um pré-requisito praticamente em todos os nichos de mercado e estou falando do B2B”, enfatiza Zeferino.
Em operações onde cada minuto parado custa milhares de reais, como o transporte urgente de medicamentos ou peças para grandes maquinários fabris, depender de processos manuais ou atendimentos lentos deixou de ser um risco aceitável. Para sair da armadilha da obesidade de dados, sem precisar inchar a equipe operacional, a saída tem sido a adoção de Agentes de IA, recomenda o especialista da Prestex. Diferente daqueles chatbots tradicionais e algumas vezes irritantes, que repetem respostas prontas e travam na primeira dúvida fora do script, os agentes inteligentes possuem autonomia para acessar sistemas internos, checar estoque, analisar o contexto e tomar decisões em tempo real.
A Prestex aplicou a tecnologia de IA avançada diretamente na jornada do cliente e nos seus sistemas de gestão de transporte. O resultado em seis meses de operação impressionou a companhia, uma vez que 30% dos chamados resolvidos de ponta a ponta sem qualquer intervenção humana; houve queda de quase um terço na sobrecarga da equipe interna de atendimento; tempo de resposta despencou para uma média de apenas 10 minutos em chamados urgentes de rastreamento; mais o transbordo inteligente: se a máquina percebe que o problema exige sensibilidade humana, ela direciona o cliente automaticamente para o especialista exato (Comercial, Operacional ou Financeiro), sem aquele “empurra-empurra” de ligações. Finalizando, Zeferino diz que monitorar e rastrear com preditividade são os caminhos ideiais.
