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FIDCs podem impulsionar financiamento de empresas

em Economia
quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Os FIDCs estão às vésperas de alcançar R$ 1 trilhão em patrimônio no Brasil. Trata-se de marco inédito para uma indústria que ganhou escala rapidamente no financiamento da economia. Monitoramentos de mercado já apontavam cerca de R$ 960 bilhões em patrimônio em maio e projetavam a superação do primeiro trilhão entre julho e agosto de 2026. O avanço acompanha uma mudança também na forma como as empresas buscam recursos.

Em julho, a taxa média do crédito livre para pessoas jurídicas chegou a 25,4% ao ano, enquanto as concessões às companhias recuaram 0,3% no mês. No crédito ampliado, os empréstimos do Sistema Financeiro Nacional diminuíram 0,6%, ao mesmo tempo em que os títulos de dívida securitizados avançaram 3%. Nesse cenário, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios deixaram de ocupar um espaço restrito no mercado de capitais e passaram a ganhar relevância como alternativa para empresas transformarem recebíveis futuros em recursos disponíveis no presente.

Apenas no primeiro semestre de 2026, a classe registrou R$ 30,6 bilhões em captação líquida, enquanto as emissões de FIDCs chegaram a R$ 53,1 bilhões em 559 operações. Na prática, esses fundos podem adquirir direitos creditórios originados pela própria atividade de uma companhia, como duplicatas, parcelas de vendas, contratos e outros recebíveis, antecipando um caixa que chegaria apenas meses depois.

“O ponto central não é simplesmente trocar um empréstimo por um FIDC. É preciso entender se a empresa possui uma carteira de recebíveis com volume, qualidade e previsibilidade suficientes para transformar esses ativos em uma estrutura de financiamento que acompanhe o próprio crescimento do negócio. Quando isso acontece, o crédito deixa de depender exclusivamente do balanço da companhia e passa a olhar também para a capacidade de geração daquela carteira”, afirma Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.