Redação
Volume de R$ 250 bilhões é o montante de créditos em atraso, por mais de 90 dias, no sistema financeiro até abril, segundo levantamento divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados do Banco Central (BC).
Este é o maior volume de recursos em atraso desde que a instituição começou a mensurar a massa de créditos em atraso no país, em 2004, já considerando a inflação da série. A quantia representa um aumento significativo de praticamente 50% em relação ao mesmo período de 2025 (R$ 164,3 bilhões).
Cabe destacar que o aumento ocorrido em um ano corresponde a praticamente todo o volume de crédito em atraso registrado no país em 2018 (R$ 84,7 bilhões). Não custa lembrar que a FecomercioSP já vinha apontando sinais desse cenário em São Paulo. Em maio, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) mostrou que 74,2% das famílias na capital paulista estavam endividadas, o maior nível em quatro anos. A taxa era de 72,9% em abril — em maio do ano passado, esse número chegava a 71,2%, aumentando o risco.
Causas
Na análise da FecomercioSP a taxa Selic elevada, em primeiro lugar, fez com que uma parcela significativa da renda das famílias fosse destinada ao pagamento de juros, o que deixou menos espaço para a quitação de outras contas. Além disso, a inflação — que voltou a ganhar força neste ano, sobretudo em meio aos reflexos da guerra no Irã — pressionou os consumidores a atrasarem as parcelas e prestações para manter o consumo básico, como comida, transporte e moradia.
Soma-se a isso o crescimento acelerado das apostas esportivas, que passou a disputar espaço no orçamento dos lares (conforme apontam pesquisas recentes da FecomercioSP) e pode ter reduzido os recursos destinados ao pagamento de dívidas. Todos os Estados registraram recorde no volume de crédito em atraso, segundo a pesquisa. A Região Centro-Oeste apontou a maior variação (69,3%), seguida por Norte (62,7%) e Sul (66,1%). Entre os Estados que tiveram maior alta, em relação a 2025, estão Tocantins (105%), Rio Grande do Sul (95,7 %) e Maranhão (93,5%).

