
Com mais de 30% das famílias inadimplentes e juros elevados, especialista avalia desde empréstimos tradicionais até alternativas como antecipação de precatórios
78,2% das famílias brasileiras declararam ter pelo menos uma dívida em aberto em maio de 2025, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e, em agosto de 2025, a inadimplência atingiu 30,4%, o maior patamar já registrado. Além dos gastos com as festas, viagens e compromissos típicos de dezembro e janeiro, o começo do ano traz uma concentração de despesas como IPVA, IPTU, matrícula escolar e renovação de seguros.
“Esses dados são um reflexo do cenário de aperto financeiro no país”, afirma André Sana, cofundador da Precato, fintech especializada na compra de precatórios. “Quando o orçamento fica pressionado por dívidas, juros altos e despesas concentradas no início do ano, muitas famílias acabam enxergando o empréstimo como a única saída para reorganizar as contas. O problema é que, dependendo da modalidade escolhida, isso pode aprofundar ainda mais a situação financeira”, alerta o executivo.
De acordo com o especialista, as principais formas de acesso a crédito no país seguem concentradas em cinco frentes, cada uma com vantagens e limitações próprias.
Empréstimo pessoal – O empréstimo pessoal é uma modalidade de crédito sem garantia e de fácil acesso. “Apesar da conveniência, o endividamento pode se tornar muito caro a médio e longo prazo”, adianta Sana. As taxas variaram entre 6,5% e 9,9% ao mês entre as principais instituições, o que significa cerca de 180% ao ano, de acordo com dados do ano passado do Procon SP+1. Na prática, isso significa que uma dívida relativamente pequena pode dobrar em poucos meses, especialmente quando o consumidor precisa recorrer a novas parcelas para cobrir compromissos anteriores. “É um tipo de crédito que cumpre um papel emergencial, mas dificilmente funciona como solução sustentável para quem já está com o orçamento comprometido”, completa.
Cartão de crédito (rotativo ou parcelado) – De fácil acesso e com diferentes emissores, do banco tradicional à loja de departamento, “o cartão de crédito é um recurso de fácil acesso e, se bem administrado, pode ser uma boa opção”, explica Sana. Entretanto, o executivo também alerta: “Porém, caso a fatura não seja paga, a pessoa pode ter que arcar com parcelamentos longos, de custos altos, o que torna o cartão uma armadilha para famílias com orçamento apertado”.
Com juros médios que chegaram a aproximadamente 445% ao ano, de acordo com o Banco Central, o rotativo no cartão de crédito representa uma das modalidades mais caras para quem parcela ou atrasa a fatura.
“O cartão costuma ser usado de forma recorrente para gastos cotidianos, o que faz a dívida crescer de maneira silenciosa. Quando a fatura deixa de ser paga integralmente, o consumidor entra em um ciclo de juros que se retroalimenta e rapidamente foge do controle. É por isso que o cartão está sempre entre os principais motores da inadimplência no país”, completa Sana.


