A ampliação do conhecimento geológico, o financiamento de projetos e a construção de uma cadeia industrial de minerais críticos no Brasil concentraram os debates do evento “Minerais Críticos: Agenda 2030”, realizado pela Associação de Minerais Críticos (AMC) em São Paulo. O encontro reuniu representantes do governo federal, governos estaduais, empresas, instituições financeiras, consultorias e da Austrália para discutir como transformar o potencial mineral brasileiro em empreendimentos capazes de atender à demanda por transição energética, infraestrutura digital e novas tecnologias.
Ao longo da abertura institucional, da palestra magna e de cinco painéis, os participantes abordaram as condições necessárias para desenvolver projetos e ampliar o processamento mineral no país. Segurança regulatória, acesso a capital, domínio tecnológico, formação profissional e relacionamento com comunidades foram temas recorrentes. As discussões também evidenciaram que a agregação de valor exige estratégias específicas para cada mineral, articulação com compradores e participação de empresas de diferentes etapas industriais.
Protocolo
O evento marcou a assinatura de um protocolo de intenções entre a AMC e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), voltado à cooperação e ao compartilhamento de conhecimento. Também trouxe informações sobre recursos para pesquisa geológica, instrumentos de garantia financeira e iniciativas empresariais de processamento de terras raras.
Na palestra “O Brasil e a Nova Economia — o papel estratégico dos minerais críticos”, Otavio Carvalheira, consultor sênior em mineração, metais e minerais críticos, utilizou a trajetória da indústria brasileira do alumínio para discutir o desenvolvimento de cadeias integradas. A apresentação mostrou que a existência de reservas, infraestrutura e profissionais qualificados não assegura, isoladamente, a competitividade de uma indústria. Ao abordar a perda de capacidade produtiva e a posterior retomada de operações de alumínio no Brasil, Carvalheira destacou o custo da energia como um fator determinante para a viabilidade industrial.
No licenciamento, a mensagem foi de que maior celeridade depende de processos claros e prazos previsíveis, preservando as exigências socioambientais. Para o investimento, a incerteza sobre a duração das etapas compromete o planejamento e a alocação de capital.
