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Agentes de IA avançam nas empresas; a governança não

em Economia
segunda-feira, 14 de setembro de 2026

SAP mostra que 55% das empresas brasileiras já testaram agentes de IA

Os agentes de inteligência artificial ganharam espaço nas conversas do SAP NOW na semana que passou, em São Paulo. Se até pouco tempo boa parte das empresas ainda tentava entender como incorporar IA ao dia a dia, a discussão agora chega a um ponto mais sensível: o que acontece quando a tecnologia deixa de apoiar apenas uma tarefa e passa a executar partes de um processo?

Os números ajudam a explicar por que esse assunto ganhou força. Estudo The Value of AI: Brazil 2026, realizado pela SAP em parceria com a Oxford Economics, mostra que 55% das empresas brasileiras já testaram casos de uso com agentes de IA. Outros 77% acreditam que a tecnologia tem potencial moderado ou alto para transformar suas organizações.

O investimento também aumentou. A média prevista para inteligência artificial neste ano chegou a US$ 20,8 milhões, contra US$ 14,2 milhões no levantamento anterior. Para agentes de IA, a expectativa de retorno nos próximos dois anos é de US$ 24,8 milhões, mais de quatro vezes o valor apontado na pesquisa de 2025.

O entusiasmo, porém, convive com uma realidade menos madura. Apenas 3% das empresas ouvidas se consideram totalmente preparadas para implementar e escalar agentes. Entre aquelas que já experimentaram a tecnologia, 61% encontraram mais dificuldade de integração do que esperavam, 54% tiveram problemas de confiabilidade ou qualidade à medida que ampliaram o uso e 40% relataram ações incorretas tomadas por agentes.

Esse contraste apareceu também nas conversas ao longo do evento. O interesse pela tecnologia é evidente, mas a pergunta já não se resume simplesmente ao que um agente consegue fazer. Controle, responsabilidade e supervisão entraram de vez nessa discussão.

Setor Tributário

No setor tributário, o tema ganha ainda mais peso. Durante sua apresentação no SAP NOW, Roberto De Lazari, Diretor de Vendas e Parcerias Estratégicas da All Tax, chamou atenção para uma diferença importante entre o uso cotidiano da inteligência artificial e sua aplicação em uma operação fiscal.

“Quando usamos uma inteligência artificial, muitas vezes recebemos a melhor resposta que ela encontrou a partir das informações disponíveis. Em uma operação tributária, isso não basta. Existe uma regra, existe uma interpretação tributária da empresa e precisamos ter segurança sobre o que foi feito”, afirmou.

A All Tax levou ao evento o SAFE, tecnologia criada para aplicar agentes de IA à execução fiscal sob supervisão. A proposta é permitir que o agente assuma atividades operacionais, mas respeite as regras estabelecidas para cada processo. Quando há uma exceção ou uma decisão que exige validação, o especialista entra. De Lazari também reforçou que a adoção de agentes não significa retirar o profissional tributário da operação. “Não queremos substituir o especialista. Existem muitos profissionais qualificados que ainda perdem tempo com carga de dados, integração de informações e atividades operacionais. É esse trabalho que a tecnologia pode assumir. A interpretação e a decisão continuam com as pessoas”, disse.

Permissão e acesso

A preocupação encontra respaldo em outro recorte da pesquisa. Hoje, 35% das empresas brasileiras não possuem processos de human-in-the-loop para fluxos com agentes de IA e 29% não contam com controles de permissão e acesso. Além disso, 65% não sabem dizer se adotam agentes em uma velocidade maior do que conseguem padronizar e controlar seu uso.

Com isso, uma nova lista de decisões chega à mesa dos executivos: até onde esses agentes podem ir, quais ações exigem validação humana e quais controles precisam existir antes de ampliar seu uso. Em áreas críticas, como o setor tributário, essas respostas têm impacto direto no negócio. Se por um lado, a capacidade técnica dos agentes avança rápido, de outro governança, processo e responsabilidade precisam acompanhar esse movimento.