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Comunicação Educacional e Escolha Profissional: Quando Informar é Mais Importante do que Convencer

em Economia da Criatividade
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Quando comunicar bem ajuda a decidir melhor

Eu acredito que marketing educacional, quando bem feito, é uma forma de orientação. Não no sentido de “convencer” alguém a comprar, mas de ajudar famílias a enxergarem caminhos com mais clareza. O que eu vejo com frequência é o oposto: comunicação cheia de promessas genéricas, com frases bonitas e pouca explicação prática. Isso aumenta ansiedade e não ajuda o estudante a tomar uma decisão boa. Para mim, comunicar bem é reduzir insegurança. É traduzir possibilidades, mostrar trajetórias reais e explicar o que aquela escolha muda na vida.

A decisão educacional envolve intenção, contexto e percepção de controle. Ajzen resume isso com precisão: “Quanto mais forte a intenção, maior a probabilidade de um bom desempenho.” Em educação, intenção é desejo de futuro, mas ela só vira ação quando a família sente que entende o processo e acredita que é possível. Marketing pode apoiar exatamente aí: esclarecendo etapas, requisitos, esforço necessário, rotinas, custos, desafios e apoios. Isso é mais útil do que slogans.

Quando instituições assumem esse papel orientador, elas atraem leads mais qualificados. O estudante chega com expectativa melhor calibrada. O atendimento vira conversa de futuro, não batalha de preços. A evasão tende a cair porque a escolha foi mais consciente. E a reputação melhora porque a promessa foi realista. Não é “menos vendas”. É venda mais saudável, com menos arrependimento e mais aderência.

Eu gosto de pensar em conteúdo como uma mentoria leve. Textos, eventos, vídeos e conversas que expliquem perfis, áreas, habilidades e rotinas ajudam o aluno a se enxergar. Em vez de vender “o curso”, eu comunico “o caminho”. Isso amplia confiança e aproxima a instituição de um papel social relevante. Para mim, é assim que marketing educacional se diferencia de marketing de varejo: ele precisa ser responsável.

Orientar não é tirar a autonomia do aluno; é dar linguagem, informação e contexto. Quando eu uso marketing para orientar, eu não só atraio matrículas; eu contribuo para decisões melhores, e isso gera valor duradouro para todos os lados.

Referências:
Ajzen, I. (1991). The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes
Brookes, E. (n.d.). Theory of Planned Behavior (Ajzen, 1991). Simply Psychology. 

Com graduação em Arquitetura e Urbanismo, pós graduação em Administração, MBA em Empreendedorismo e Inovação, e Master in Digital Marketing, Carol Olival tem um perfil multidisciplinar e transita com segurança pelos mercados de educação, marketing, vendas e treinamento. Carol operou escolas próprias de inglês por 10 anos, e hoje é Community Outreach Director da Full Sail University, responsável pela criação e manutenção de comunidades internacionais para a universidade através da divulgação das imensas possibilidades que as carreiras na economia criativa oferecem.