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Renda cresce, mas consumo cai: as estratégias jurídicas que as empresas precisam adotar diante da alta inadimplência

em Destaques
terça-feira, 14 de abril de 2026

Daniel Cabrera (*)

O atual cenário econômico brasileiro acende um alerta para as empresas, especialmente no campo jurídico. Dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian mostram que o país encerrou 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes e R$213 bilhões em dívidas, o maior patamar da série histórica, com impacto direto no fluxo de caixa e na sustentabilidade dos negócios.

Ao mesmo tempo, economistas observam um fenômeno que ajuda a explicar esse cenário: o descolamento entre renda e consumo das famílias, conhecido como “boca de jacaré”. Embora a renda esteja em crescimento, o consumo não acompanha o mesmo ritmo devido ao alto endividamento, preços elevados e menor capacidade financeira das famílias.

O efeito é direto no mercado: consumidores compram menos, empresas vendem menos e a inadimplência aumenta. Nesse contexto, a área jurídica das organizações deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a ter papel estratégico na proteção dos negócios.

O aumento da inadimplência representa um risco estrutural para as empresas, principalmente em um ambiente de crédito restrito e juros elevados. Contratos ficam mais vulneráveis, renegociações se tornam mais difíceis e cresce a necessidade de segurança nas relações comerciais. O resultado é um mercado mais cauteloso, com exigência de garantias, contratos mais estruturados e maior judicialização de cobranças.

Diante desse cenário, algumas estratégias jurídicas se tornam essenciais, tais como:

• Fortalecimento dos contratos comerciais, com cláusulas de garantias, Penalidades e revisão em caso de crise;

• políticas jurídicas de concessão de crédito integradas ao financeiro e ao comercial;

• Estratégias de renegociação para evitar litígios e preservar relações comerciais;

• Planejamento jurídico para recuperação de crédito com mais agilidade;

• Governança e integração entre jurídico, financeiro e contábil para reduzir riscos.

Na prática, o jurídico passa a atuar como um agente de prevenção, antecipando riscos e estruturando relações comerciais mais seguras. Empresas que investem em planejamento jurídico e governança conseguem atravessar períodos de instabilidade com mais previsibilidade e proteção patrimonial.

O recorde de inadimplência e o descompasso entre renda e consumo mostram que o ambiente econômico exige uma mudança de postura. Mais do que reagir às crises, o jurídico empresarial precisa atuar de forma estratégica, transformando a gestão de riscos em um diferencial competitivo e garantindo maior segurança para a continuidade das operações.

(*) Advogado especializado em direito empresarial há mais de 20 anos, especialista no desenvolvimento de estratégias para transformar as questões legais das empresas em um diferencial competitivo.

Pelo terceiro ano seguido, desemprego é a principal causa da inadimplência, mostra levantamento do SPC Brasil e CNDL – Jornal Empresas & Negócios