
Daniel Cabrera (*)
O atual cenário econômico brasileiro acende um alerta para as empresas, especialmente no campo jurídico. Dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian mostram que o país encerrou 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes e R$213 bilhões em dívidas, o maior patamar da série histórica, com impacto direto no fluxo de caixa e na sustentabilidade dos negócios.
Ao mesmo tempo, economistas observam um fenômeno que ajuda a explicar esse cenário: o descolamento entre renda e consumo das famílias, conhecido como “boca de jacaré”. Embora a renda esteja em crescimento, o consumo não acompanha o mesmo ritmo devido ao alto endividamento, preços elevados e menor capacidade financeira das famílias.
O efeito é direto no mercado: consumidores compram menos, empresas vendem menos e a inadimplência aumenta. Nesse contexto, a área jurídica das organizações deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a ter papel estratégico na proteção dos negócios.
O aumento da inadimplência representa um risco estrutural para as empresas, principalmente em um ambiente de crédito restrito e juros elevados. Contratos ficam mais vulneráveis, renegociações se tornam mais difíceis e cresce a necessidade de segurança nas relações comerciais. O resultado é um mercado mais cauteloso, com exigência de garantias, contratos mais estruturados e maior judicialização de cobranças.
Diante desse cenário, algumas estratégias jurídicas se tornam essenciais, tais como:
• Fortalecimento dos contratos comerciais, com cláusulas de garantias, Penalidades e revisão em caso de crise;
• políticas jurídicas de concessão de crédito integradas ao financeiro e ao comercial;
• Estratégias de renegociação para evitar litígios e preservar relações comerciais;
• Planejamento jurídico para recuperação de crédito com mais agilidade;
• Governança e integração entre jurídico, financeiro e contábil para reduzir riscos.
Na prática, o jurídico passa a atuar como um agente de prevenção, antecipando riscos e estruturando relações comerciais mais seguras. Empresas que investem em planejamento jurídico e governança conseguem atravessar períodos de instabilidade com mais previsibilidade e proteção patrimonial.
O recorde de inadimplência e o descompasso entre renda e consumo mostram que o ambiente econômico exige uma mudança de postura. Mais do que reagir às crises, o jurídico empresarial precisa atuar de forma estratégica, transformando a gestão de riscos em um diferencial competitivo e garantindo maior segurança para a continuidade das operações.
(*) Advogado especializado em direito empresarial há mais de 20 anos, especialista no desenvolvimento de estratégias para transformar as questões legais das empresas em um diferencial competitivo.


