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Reforma tributária deixa de ser pauta fiscal e muda estratégia das empresas

em Destaques
terça-feira, 14 de julho de 2026

Obrigatoriedade de novas informações nas notas fiscais acelera mudanças em precificação, contratos e planejamento de empresas que atuam com importação e exportação

A menos de um mês da entrada em vigor de uma nova etapa da reforma tributária, empresas que atuam com importação e exportação aceleram a revisão de processos fiscais, contratos e planejamento financeiro. A partir de 3 de agosto, empresas do regime regular deverão preencher obrigatoriamente os campos relativos ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nos documentos fiscais eletrônicos, conforme cronograma divulgado pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS). A mudança, embora tenha caráter de transição, já começa a influenciar decisões estratégicas de negócios com operações nacionais e internacionais.

Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo, holding especializada em comércio exterior, câmbio corporativo e inteligência operacional para importadores e exportadores, a reforma tributária deixa de ser um tema exclusivamente jurídico para se tornar uma questão de gestão empresarial. “A reforma tributária muda a forma como as empresas organizam suas operações. Não estamos falando apenas de impostos, mas de decisões que envolvem formação de preços, fluxo de caixa, contratos internacionais, gestão cambial e competitividade. Quem esperar a implementação completa para começar a se adaptar provavelmente terá custos maiores e menos capacidade de reação.”

Segundo a Receita Federal, 2026 marca o início da implementação operacional da reforma tributária sobre o consumo, com adaptações graduais dos documentos fiscais eletrônicos e dos sistemas utilizados pelas empresas para viabilizar a transição para o novo modelo tributário.

Mudança vai além da emissão das notas fiscais

Na avaliação do empresário, limitar a adaptação à atualização dos sistemas fiscais é um dos principais erros das empresas. “Muitas organizações acreditam que basta adequar o ERP ou alterar a emissão das notas fiscais. Mas a reforma tributária exige uma revisão completa da operação. É preciso reavaliar contratos, estratégias comerciais, estrutura de custos, fluxo financeiro e até negociações com fornecedores e clientes.”

Segundo ele, empresas com operações internacionais tendem a sentir os efeitos mais rapidamente porque trabalham simultaneamente com diferentes regimes tributários, moedas e cadeias logísticas. “Quando uma empresa importa insumos ou exporta produtos, qualquer alteração tributária pode afetar diretamente margens, capital de giro e competitividade. Por isso, o planejamento passa a ser uma vantagem competitiva.”

Integração entre áreas reduz riscos

Para o CEO da Saygo, a implementação da reforma tributária exige que as áreas fiscal, financeira, comercial e de comércio exterior trabalhem de forma integrada. “Uma decisão tributária influencia diretamente a precificação, o fechamento de câmbio, a negociação internacional e o planejamento financeiro. As empresas que conseguirem conectar essas áreas terão mais previsibilidade durante a transição.”

O executivo afirma que muitas companhias concentram seus esforços exclusivamente no cumprimento das obrigações fiscais, sem avaliar os impactos sobre toda a operação. “A reforma tributária exige uma visão muito mais ampla. O empresário precisa entender como cada decisão tributária repercute na gestão do negócio e na capacidade de competir, especialmente quando atua no comércio exterior.”

Tecnologia será aliada na adaptação

Além das mudanças regulatórias, Thiago acredita que o novo modelo tributário deve acelerar investimentos em tecnologia e automação. “A integração entre dados fiscais, financeiros e cambiais permitirá decisões mais rápidas e maior controle da operação. Quanto maior a visibilidade sobre os processos, menor será o risco de erros, retrabalho e perda de eficiência.”

Segundo ele, a reforma tributária representa também uma oportunidade para modernizar processos internos que há anos vinham sendo adiados. “Grandes mudanças costumam obrigar as empresas a rever práticas antigas. Quem aproveitar esse momento para organizar a operação, integrar informações e fortalecer a gestão chegará ao novo sistema tributário muito mais preparado.”

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