Ecossistema digital tem lugar para todo tipo e tamanho de negócio

Fernanda Nascimento (*)

Diferenciar ou morrer já foi um mantra do marketing. O novo mantra é digitalizar ou morrer. Investir na transformação digital deixou de ser um passo tímido e agora significa repensar o negócio a partir do digital. Quando tudo muda à sua volta, a única alternativa possível é avançar na mesma direção para onde o mundo caminha.

A velocidade da digitalização no mercado é tão intensa que muitos se intimidam e deixam de acreditar na possibilidade de seguir o ritmo. Você observa o porte de Amazon, Alibaba, Magalu e já entende que não pode chegar lá. Acontece que essas gigantes apontaram uma tendência sem volta no mundo dos negócios: os ecossistemas são mesmo a próxima onda de disrupção que veio para ficar. E eles são mais democráticos em termos de oportunidades do que muitos imaginam.

Totalmente focados no cliente, apresentam um intenso processo de evolução para agregar valor em uma velocidade e escala sem precedentes. Definidos como um conjunto interconectado de ofertas para atender às necessidades do consumidor em uma experiência integrada, consistem em negócios de diferentes setores que oferecem coletivamente uma ampla gama de produtos e serviços. O mercado global já sinaliza que eles estão evoluindo para superplataformas digitais.

Elas proporcionam uma experiência integrada com serviços interconectados que vão desde a simples carona até delivery de comida, supermercado, logística, incluindo saúde, estilo de vida e serviços financeiros. Esse modelo permite aos usuários acessar diversos serviços digitais a partir de um único aplicativo, atraindo cada vez mais o interesse dos investidores. Observa-se então um círculo virtuoso em que os investimentos fortalecem os negócios e alimentam as estratégias de inovação.

De acordo com um novo estudo da EY, participar de ecossistemas digitais é uma virada de jogo que pode criar valor de longo prazo e vantagem competitiva, diminuindo os custos de aquisição de clientes e fortalecendo o relacionamento com eles. E quem ainda olha com desconfiança para o formato com medo de que ele só beneficie empresas de tamanho considerável precisa ampliar a visão sobre suas possibilidades. No universo dos ecossistemas, existem oportunidades para todas as dimensões – e para diferentes estágios de inserção no mundo digital.

No report da EY, Joongshik Wang, líder da EY-Parthenon Asean, oferece algumas reflexões pertinentes sobre a importância dos ecossistemas e como as empresas tradicionais podem participar desse modelo de negócios, avançando no digital a partir do compartilhamento de know-how e tecnologia dos que saíram na frente.
O segredo para tirar o melhor proveito possível de um ecossistema digital está na definição da estratégia para projetá-lo ou simplesmente fazer parte dele. Há três escolhas estratégicas que as empresas podem realizar: comprar, construir ou formar parceria.

Embora as empresas tradicionais estabelecidas – devido à sua grande base de usuários, alcance e ativos de capital – estejam bem-posicionadas para orquestrar um ecossistema digital, muitas vezes são ultrapassadas pelos nativos digitais emergentes que estão à frente na adoção digital. A maioria das empresas tradicionais tem se concentrado em seu negócio principal e pode hesitar em construir um negócio baseado em plataforma devido aos sistemas legados e à cultura corporativa.

Assim, as empresas tradicionais estão se voltando para a colaboração com e-commerces e plataformas de última milha para oferecer experiências digitalizadas, simplificadas e omnichannel aos seus clientes. A McKinsey estima que, até 2025, os ecossistemas digitais representarão aproximadamente US? 60 trilhões em receita global. É interessante notar o impacto dos ecossistemas em todos os setores, praticamente obrigando as organizações a se mobilizarem na mesma direção para atender às novas demandas do mercado.

Para Mike Walker , membro do Forbes Technology Council, à medida que as expectativas do cliente evoluem, o mesmo ocorre com a cadeia de suprimentos global e as organizações de logística. Essa mudança é impulsionada por inúmeros fatores, que introduzem desafios imprevistos, mas também apresentam enormes oportunidades para as indústrias de cadeia de suprimentos e logística.

Os avanços desse e de outros setores seguem os gigantes digitais como a Amazon, além de startups digitais que investem em modelos de negócios totalmente novos, usando tecnologias emergentes como blockchain, IA, IoT e muitas outras para mudar a cara da logística daqui para frente. Nos próximos cinco ou dez anos, os efeitos dessas disrupções darão início a uma onda de transformação digital tanto para a cadeia de suprimentos quanto para os setores de logística alimentados por ecossistemas digitais.

Sob todos os aspectos que você observar o impacto da transformação digital e dos ecossistemas no mundo dos negócios, encontrará sistemas muito avançados, com tecnologias de ponta inseridas em toda a jornada de compras. O objetivo é oferecer uma experiência muito superior aos clientes, com resultados positivos mensuráveis em lealdade e vendas. É possível perceber que não restará pedra sobre pedra nos setores ou organizações que ainda persistirem em sistemas que se assemelham aos antigos castelos feudais protegidos por muralhas. Acredite, ainda vejo alguns por aí.

Mas também encontro líderes visionários, que correm para aprender ou se associar com os melhores. Eles buscam os recursos e parcerias essenciais para inserir suas empresas nesse modelo de negócios e acabam conquistando novos horizontes porque se dispõem a enfrentar os desafios inevitáveis de um mundo em profunda transformação.

(*) -É Sócia-fundadora da Stratlab, especialista em CX e Customer Centric (www.stratlab.com.br).

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