
Maioria ainda não iniciou o planejamento, revelando disparidade de maturidade tecnológica e risco competitivo
A Reforma Tributária, que entra em vigor em janeiro, promete ser um divisor de águas para o ambiente de negócios no Brasil. Mais do que adequação regulatória, especialistas apontam que ela impõe às empresas a necessidade de transformar a gestão fiscal em área estratégica — capaz de sustentar competitividade, margens e inovação. O estudo inédito “Reforma Tributária – dualidade entre conservadorismo e inovação nas empresas brasileiras”, realizada pela All Tax com 408 profissionais respondentes, representando 222 empresas, revela um cenário marcado por contrastes: apenas 13,5% dos participantes consideram que suas companhias estão prontas para as mudanças, enquanto mais de 40% apontam que ainda buscam ou implementam novas soluções.
O levantamento indica uma heterogeneidade clara: enquanto algumas organizações já investem em automação e inteligência artificial para lidar com a complexidade do novo sistema, outras permanecem em estágio inicial, sem planejamento concreto. “Essa disparidade evidencia diferentes níveis de maturidade tecnológica e organizacional. A reforma não será apenas uma mudança legal, mas um filtro competitivo. Quem enxergar o fiscal como custo tende a perder espaço para quem o transforma em inteligência de negócios”, afirma Roberto de Lázari, diretor de Estratégia e Vendas da All Tax.
Para Juliana Zobaran, diretora Latam de Impostos da Vantiva, a mudança exige visão integrada: “As margens, os preços e até as negociações trabalhistas serão afetados. Muitas companhias ainda não perceberam a profundidade da transformação. Quem não agir corre o risco de perder relevância”.
O estudo também mostra uma forte tendência ao conservadorismo: quase metade dos entrevistados (48,3%) pretende manter fornecedores atuais de soluções fiscais. Ao mesmo tempo, existe um movimento expressivo de renovação, 41,4% já buscam ou implementam novos parceiros. Essa dualidade revela uma tensão entre continuidade e inovação.
Entre os pontos críticos, cerca de 9 a 10% das empresas ainda não iniciaram nenhum planejamento, o que representa risco operacional significativo quando as exigências entrarem em vigor. Outro dado que chama atenção é a baixa adoção de Tax Engines: apenas 14% afirmam que suas empresas utilizam a tecnologia, que poderia substituir regras manuais no ERP (Enterprise Resource Planning) e automatizar a determinação fiscal.
A transição também trará impacto direto no mercado de tecnologia. De acordo com Thiago Figo, líder de Tax and Legal da C&A, a inteligência artificial será indispensável: “Teremos de conviver com dois modelos até 2032. Sem IA, a demanda por profissionais seria insustentável”.
A All Tax avalia que o cenário é, ao mesmo tempo, um risco e uma oportunidade. A automação integrada aos ERPs e soluções de inteligência de dados permitem simular cenários, reduzir inconsistências e colocar a área fiscal no centro das decisões corporativas.
“O Brasil está diante de uma oportunidade histórica. A Reforma pode ser vista como fardo ou como catalisador de produtividade. Quem enxergar a área fiscal como motor de governança e estratégia terá vantagem real na próxima década”, conclui De Lázari.




