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Por que grandes marcas estão investindo em experiências que a Inteligência Artificial não consegue criar

em Destaques
quarta-feira, 08 de julho de 2026

Em um mundo cada vez mais automatizado, empresas descobrem que conexão emocional, memória afetiva e experiências sensoriais são diferenciais que nenhuma tecnologia consegue substituir

A Inteligência Artificial revolucionou a forma como empresas produzem conteúdo, desenvolvem campanhas e se relacionam com consumidores. Em poucos segundos, ela cria imagens, textos, vídeos e até músicas. Contudo, justamente diante desse avanço tecnológico, cresce um movimento que parece contraditório: marcas estão investindo cada vez mais em experiências capazes de despertar emoções reais.

Mais do que vender produtos ou serviços, empresas passaram a buscar formas de criar conexões memoráveis com seus clientes. É a chamada economia da experiência, tendência que coloca a emoção, os sentidos e a autenticidade no centro das estratégias de marketing.

Para Peter Paiva, empreendedor, educador e especialista na criação de experiências sensoriais, esse movimento acontece porque a tecnologia consegue acelerar processos, mas não substitui aquilo que faz uma marca ser lembrada.

“Hoje, qualquer empresa pode produzir um anúncio com Inteligência Artificial. Mas nenhuma tecnologia consegue fazer uma pessoa lembrar de um momento especial por causa de um aroma, de uma sensação ou da emoção vivida durante uma experiência”, ressalta o especialista.

Há mais de 25 anos desenvolvendo projetos que unem criatividade, empreendedorismo e conexão emocional, Peter observa que consumidores estão cada vez mais interessados em marcas capazes de criar vínculos verdadeiros.

“Vivemos cercados por estímulos digitais. Justamente por isso, aquilo que desperta os sentidos ganha ainda mais importância. Quando uma experiência consegue emocionar, ela permanece na memória muito depois da compra.”

Esse conceito já faz parte da estratégia de grandes empresas ao redor do mundo.

Um dos projetos mais emblemáticos da trajetória de Peter foi o desenvolvimento das identidades olfativas da exposição Mundo Pixar, realizada pela Walt Disney Company. O desafio não era apenas criar fragrâncias, mas traduzir histórias conhecidas mundialmente em experiências sensoriais capazes de despertar lembranças, emoções e conexão com personagens que marcaram gerações.

“O cheiro tem um poder extraordinário sobre a memória afetiva. Em poucos segundos, ele pode transportar uma pessoa para um momento da infância, para uma viagem ou para uma lembrança feliz. Essa conexão emocional é algo que nenhuma Inteligência Artificial consegue fabricar.”

Para Peter, essa busca por experiências também explica o crescimento de mercados ligados ao bem-estar, ao artesanal, à personalização e ao atendimento humanizado.

“As pessoas continuam admirando a tecnologia. Mas querem se relacionar com marcas que demonstrem propósito, sensibilidade e autenticidade. A inovação deixou de ser apenas tecnológica. Hoje, ela também passa pela capacidade de criar experiências inesquecíveis.”

Esse comportamento acompanha uma mudança no perfil do consumidor, especialmente entre as gerações mais jovens, que valorizam empresas alinhadas a propósito, identidade e experiências significativas, muito além das características do produto.

Na avaliação de Peter, a Inteligência Artificial continuará transformando negócios, mas o diferencial competitivo das marcas estará, cada vez mais, naquilo que é essencialmente humano.

“A tecnologia continuará evoluindo. Mas emoção, memória afetiva e conexão genuína continuarão sendo os elementos que fazem uma marca ser lembrada.”

Como transformar a sua empresa investindo em varejo inteligente – Jornal Empresas & Negócios