
Estruturar dados e conteúdo agora vai importar mais que volume de investimento em anúncios. Marcas que pensam em presença saem à frente das que só pensam em campanha
A chegada do ChatGPT Ads ao Brasil marca uma mudança mais profunda do que parece. Não é sobre adicionar um novo lugar para colocar anúncios. É sobre quem controla a narrativa quando o consumidor está decidindo.
Em uma busca no Google, a marca controla seu anúncio e seu site. A OpenAI também controla a resposta que o ChatGPT dá antes, durante e depois daquele anúncio aparecer. Esse é o verdadeiro ponto de inflexão.
“O que muda fundamentalmente é a mediação. Antes, o consumidor via seu anúncio ou não via. A escolha era binária. Agora, a inteligência artificial já forneceu uma opinião, um contexto, uma comparação. Seu anúncio chega depois dessa mediação, não antes”, afirma Melissa Pio, CEO da TEC4U.
Quando alguém digita “notebook 13 polegadas” no Google, recebe uma lista. Quando a mesma pessoa conversa com ChatGPT dizendo “quero um notebook leve, bom para viajar, que aguente programação, com bateria acima de 12 horas”, está oferecendo contexto demais. A inteligência artificial pode orientar a decisão muito mais que um anúncio tradicional.
Para o varejo, isso cria um novo problema: estar visível não é suficiente. Estar visível de forma correta é tudo.
“Uma marca que vende notebook vai querer aparecer quando alguém pergunta sobre notebooks. Mas a OpenAI pode responder primeiro: ‘para isso, considere processador, RAM, tipo de SSD’. Se a marca não tiver essas informações organizadas e acessíveis em um formato que a IA consiga encontrar e interpretar, o anúncio dela chega tarde. O consumidor já se decidiu antes de ver a peça publicitária”, explica Melissa.
O desafio real: preparação de dados
Muitos e-commerce vão cometer o mesmo erro que cometeram com o Google Ads: copiar a estratégia de palavra-chave para um ambiente completamente diferente. ChatGPT Ads não funciona assim.
O que funciona é ter dados estruturados, conteúdo que responde perguntas reais de consumidores e presença consolidada em diferentes pontos onde a IA busca informação. Marketplaces vão continuar importantes. Google vai continuar importante. Mas agora há uma nova superfície onde o consumidor está buscando respostas antes de clicar em qualquer link.
“O e-commerce que tiver seus produtos bem catalogados, com especificações reais, reviews confiáveis e conteúdo que responda ‘por que comprar isso’ vai ganhar espaço em conversas de IA muito antes de um anúncio aparecer. O anúncio é a cereja do bolo, não é a entrada da loja”, completa a CEO.
Há um elemento que poucos mencionam: essa mudança favorece marcas que já têm presença estabelecida. Pequenas marcas e novos entrantes que dependem de Google Ads para aparecer vão ter mais dificuldade. A IA tende a recomendar o que já é conhecido e documentado.
Mas há tempo para mudar isso. Quem começa a estruturar seus dados e conteúdo agora, enquanto a maioria ainda está testando ChatGPT Ads como um canal de publicidade tradicional, vai colher vantagem.
“Estamos em um momento em que a maioria das marcas ainda está pensando em campanha. As que estão pensando em presença vão ganhar”, conclui Melissa Pio.
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