
Especialista explica os fatores que realmente influenciam a decisão consular e desmistifica crenças comuns entre brasileiros
Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a procura por vistos americanos voltou a crescer entre brasileiros, impulsionada pelo aumento das viagens internacionais e pelo interesse em acompanhar o evento de perto. Os Estados Unidos receberam 1,9 milhão de brasileiros em 2025, mantendo o Brasil como um dos principais mercados emissores de turistas para o país, segundo o NTTO, órgão do governo americano que compila estatísticas de viagem. Além disso, o próprio governo norte-americano já anunciou medidas para priorizar o agen damento de entrevistas para torcedores, diante do aumento esperado de solicitações.
Nesse cenário, o processo de aprovação segue cercado de dúvidas e mitos, o que, na prática, pode comprometer as chances de quem não entende o que realmente é avaliado.
Na prática, o critério adotado pelas autoridades consulares é mais objetivo do que parece. A análise gira em torno da intenção de viagem e, principalmente, da capacidade do solicitante de comprovar que retornará ao Brasil após a estadia.
Para a advogada Dra. Ingrid Domingues-McConville, com mais de 30 anos de atuação nos Estados Unidos e experiência em imigração empresarial e familiar, a análise consular é mais objetiva do que muitos imaginam. “A decisão não é baseada em um único fator, mas no conjunto da vida da pessoa. O agente consular quer entender se aquele candidato tem vínculos reais com o país de origem”, explica.
A seguir, a especialista esclarece os principais mitos e verdades sobre o processo:
- Existe um perfil ideal para conseguir o visto.
Mito. “Não existe um modelo perfeito de candidato. O consulado não busca um tipo específico de pessoa, mas sim entender se ela tem motivos concretos para voltar ao Brasil após a viagem”, afirma. - Ter dinheiro na conta garante a aprovação.
Mito. “A condição financeira ajuda a demonstrar que a pessoa pode custear a viagem, mas não prova que ela vai retornar. Estabilidade é mais relevante do que saldo bancário”, explica. - Estar empregado faz diferença na análise.
Verdade. “Um emprego estável, tempo de casa ou um negócio próprio mostram que o solicitante tem vínculos sólidos com o Brasil. Isso pesa bastante na decisão”, destaca. - Ter familiares nos Estados Unidos pode atrapalhar.
Verdade. “Pode gerar questionamentos sobre a real intenção da viagem. Não impede a aprovação, mas exige respostas claras e coerentes durante a entrevista”, pontua. - Já ter tido um visto negado impede novas aprovações.
Mito. “A negativa fica registrada, mas não impede uma nova aprovação. O importante é que a situação do solicitante tenha mudado de forma significativa desde o pedido anterior”, esclarece. - Falar inglês é essencial para conseguir o visto.
Mito. “Para vistos de turismo, a entrevista pode ser feita em português e o idioma não é determinante. Já em vistos de trabalho, o inglês pode ser mais relevante”, explica. - Ter histórico de viagens internacionais aumenta as chances.
Verdade. “Ajuda porque demonstra um padrão de viagens com retorno ao país de origem. Mas não é obrigatório, o principal continua sendo os vínculos com o Brasil”, afirma. - Levar documentos é fundamental para aprovação.
Mito. “Na maioria dos casos, os documentos nem são analisados. A decisão costuma ser tomada com base na entrevista, e só são solicitados se houver alguma dúvida”, diz. - Respostas ensaiadas ajudam na entrevista.
Mito. “Respostas decoradas, vagas ou incoerentes podem prejudicar. O ideal é ser claro, objetivo e consistente ao explicar sua rotina e o motivo da viagem”, orienta. - O que realmente pesa é o conjunto da história.
Verdade. “O agente avalia estabilidade profissional, renda compatível, histórico e, principalmente, a coerência das informações. Além disso, histórico migratório limpo, sem fraudes ou permanência irregular, é essencial”, reforça.
A especialista destaca que, embora o processo seja rápido, a análise é criteriosa e baseada na percepção de credibilidade do solicitante. “No fim, a decisão responde a uma pergunta central: essa pessoa parece alguém que vai viajar e voltar?”, resume.
Mais do que cumprir uma lista de exigências, a aprovação do visto depende de consistência, transparência e da capacidade de demonstrar vínculos reais com o país de origem.
Novas regras para deportação geram apreensão entre imigrantes nos EUA – Jornal Empresas & Negócios




