
Samira Cardoso (*)
A inteligência artificial virou prioridade nos orçamentos corporativos, mas poucas empresas sabem dizer se esperam que ela traga crescimento ou economia. Essa diferenciação define se o investimento será avaliado pela receita que ajuda a criar ou pela despesa que ajuda a eliminar, e sem a distinção correta a equipe acaba sem saber de onde veio o resultado conquistado.
Para evitar isso, antes de aprovar qualquer projeto, é preciso entender se essa iniciativa traz dinheiro novo ou apenas gasta menos. A primeira categoria é a da IA que gera receita, pois ela cria algo pelo qual o cliente paga mais, compra com mais frequência ou passa a contratar um novo serviço. Isso aparece quando a personalização em tempo real aumenta o ticket médio, quando a recomendação de produtos eleva a conversão ou quando um novo módulo habilitado por tecnologia se torna item de upsell. O ganho, nesse caso, nasce no comportamento do cliente e só depois chega ao caixa.
Se tratando de IA que reduz custo, a entrega ao cliente permanece igual, mas a operação fica mais enxuta. Automação de atendimento de primeiro nível, triagem de leads, geração de relatórios internos e revisão de contratos são exemplos de tarefas que podem ganhar eficiência. O cliente pode não perceber diferença, mas a empresa consome menos horas, menos ferramentas e menos retrabalho.
O problema é que muitas iniciativas misturam os dois efeitos, e a companhia acaba comemorando “resultado com IA” sem saber de onde ele veio. Não por acaso, apenas 40,7% das empresas brasileiras conseguem comprovar retorno financeiro com IA generativa, segundo levantamento do TEC.Institute em parceria com a Peers Consulting. Ou seja, uma boa parte investe, usa e até percebe melhora, mas não consegue provar de onde vem o ganho
Enfim, diferenciar os dois tipos de impacto é o que permite decidir onde investir no próximo ciclo e como defender o orçamento diante do conselho, o que é essencial, principalmente agora com a chegada das reuniões de discussão orçamentária para o próximo semestre. As companhias que conseguem separar receita de custo são capazes de medir o que realmente importa e transformar a tecnologia em decisão estratégica, não em aposta.
(*) Co-fundadora e CEO da Layer Up, agência de marketing, publicidade e comunicação que oferece estratégias personalizadas, operação eficiente, branding e performance, unindo criatividade, tecnologia e dados.


