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o que as empresas precisam revisar internamente para atravessar a Reforma Tributária?

em Destaques
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Juliana Najara (*)

O ano de 2026 não é apenas uma data no calendário fiscal, mas o ponto de partida para a maior transformação econômica das últimas décadas no Brasil: a Reforma Tributária. No entanto, mesmo com a transição já tendo iniciado, muitos líderes ainda encaram esse momento como um interruptor que será ligado apenas no dia da implementação — quando, na verdade, esta é uma fase que exige, acima de tudo, um preparo prévio.

A verdade é que estamos prestes a iniciar uma expedição por um território desconhecido. Afinal, estamos falando de uma mudança que impacta desde a precificação até a estratégia de crescimento das organizações. E, como em qualquer jornada de alta complexidade, o sucesso não é decidido durante a caminhada, mas muito antes dela: na fase de preparação, na escolha da equipe e no mapeamento da rota.

Antes de pensar em ajustes no ERP ou alíquotas de IBS e CBS, as empresas precisam realizar uma revisão interna profunda. Para isso, destaco cinco pilares fundamentais:

  1. Qualidade das informações: Dados inconsistentes hoje se tornarão erros de cálculo e multas amanhã. O novo modelo exigirá um nível de detalhamento e rastreabilidade que muitos processos atuais não suportam. Sendo assim, é crucial revisitar os cadastros de produtos, clientes e fornecedores agora.
  2. Revisão da estrutura de negócios: Não se deve esperar a conclusão da transição para entender os impactos na margem. Como a nova lógica é baseada na tributação no destino (e não na origem), ela alterará a lógica de centros de distribuição, plantas industriais e rotas logísticas. Quanto antes a organização simular esses cenários, melhor.
  3. Alinhamento com a equipe: Ter um time multidisciplinar é uma estratégia vital. O novo modelo não se restringe ao departamento fiscal; é um desafio que atravessa TI, Compras, Vendas e Finanças. Tentar atravessar essa jornada com especialistas de um único viés é um erro estratégico.
  4. Uso da tecnologia: Não se trata apenas de “atualizar o ERP”, mas de utilizar a tecnologia como uma ferramenta de navegação a serviço da estratégia. Fazer configurações no sistema sem antes revisar os processos internos é, na prática, automatizar o erro. Antes de novos módulos, é preciso desenhar o novo fluxo de informações.
  5. Convivência de sistemas: Teremos um período de transição onde o “velho” e o “novo” coexistirão. Este será o momento mais crítico da expedição, no qual o esforço será dobrado. É essencial avaliar a capacidade de entrega do time, pois a jornada será longa e a energia precisa ser preservada para os anos de transição.

Nesta expedição, o maior risco não é o território desconhecido, mas a falta de um mapa que conecte a estratégia à operação. Por isso, antes de qualquer movimento técnico, é vital que a organização percorra uma etapa rigorosa de planejamento, análise de negócio e governança.

Nesse contexto, contar com uma consultoria especializada é a forma mais eficiente de ajudar os negócios não apenas a sobreviver, mas a se tornarem líderes no novo cenário. Através de um olhar experiente, é possível traçar trilhas que vão desde a revisão de riscos contratuais, impactos financeiros e estrutura operacional, até a identificação do que precisa ser corrigido para uma transição segura. O objetivo é evitar decisões que pareçam tecnicamente “corretas”, mas que sejam estrategicamente equivocadas.

O ano de 2026 já começou. Empresas que tratarem a Reforma apenas como uma obrigação acessória chegarão ao destino com perdas financeiras. Já aquelas que usarem este momento para limpar processos, integrar times e modernizar a governança sairão do outro lado ágeis e resilientes. A pergunta para o C-Level agora é apenas uma: sua organização está pronta para a jornada?

(*) Arquiteta de soluções da G2.