Com a marca histórica de R$ 50,6 bilhões pagos em processos por empresas, a transição da jornada exigirá que o RH abandone o Excel e adote IA para prever cenários, blindar o caixa e manter a produtividade.
A recente aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da proposta que prevê a transição da jornada de trabalho para 40 horas semanais no Brasil acendeu um alerta máximo nas empresas. Nos setores de comércio e serviços, que operam sob altas margens de custo e dependem da escala 6×1, o desafio não é político, mas puramente operacional: como fechar a conta sem estourar o orçamento?
Para os especialistas da Factorial, HRtech global especialista em soluções para RH e DP, tentar gerenciar essa transição no papel ou em planilhas não é apenas ineficiente — é um passaporte direto para o risco jurídico.
O “caos do Excel” e o peso do passivo trabalhista
Com o possível modelo 5×2 ou escalas rotativas reduzidas, o controle sobre os limites de entrada, saída e intervalos se tornará muito mais rígido. Fazer essa matemática manualmente é insustentável frente a um cenário jurídico cada vez mais severo.
A Justiça do Trabalho registrou um recorde histórico em 2025, com o pagamento de R$ 50,6 bilhões decorrentes de processos trabalhistas — um salto impulsionado pelo aumento de 8,7% no volume de novas ações, que totalizaram 2,3 milhões de novos casos no último ano.
“Esse recorde de R$ 50 bilhões é o preço da ineficiência. A falta de digitalização e o controle de ponto analógico são os maiores patrocinadores das multas trabalhistas no Brasil”, explica Renan Conde, CEO Brasil da Factorial. “Com o fim da escala 6×1 e as novas regras de jornada, o RH não terá margem para erro. Precisamos de dados em tempo real e auditoria constante; quem não puder comprovar que o colaborador cumpriu rigorosamente o novo limite estipulado verá o passivo trabalhista devorar qualquer margem de lucro da operação.”
O mito da produtividade: trabalhar menos exige tecnologia inteligente
O temor do varejo em inflar a folha para cobrir escalas reduzidas esbarra em uma realidade: o mercado já prova que trabalhar menos não significa produzir menos. Contudo, sem controle, a nova jornada vira risco jurídico. Prova disso é que Horas Extras e Intervalos seguem no topo do ranking do TST, somando mais de 130 mil processos julgados apenas no último ano.
Para converter esse risco em ganho, o RH deve olhar para os dados do piloto 4 Day Week Brazil, que mostram que jornadas otimizadas trazem resultados reais:
• 71,5% dos colaboradores aumentaram a produtividade;
• 58,2% de queda nos índices de burnout;
• 72% das empresas lucraram mais com a redução de turnover e absenteísmo.
A mensagem é clara: o fim da escala 6×1 só é sustentável se a operação for inteligente.
Onde entra a Inteligência Artificial no RH?
A grande virada de chave para garantir esses mesmos índices positivos no fim da escala 6×1 será o uso da Inteligência Artificial. Relatórios de consultorias globais apontam que ferramentas analíticas já são capazes de automatizar a maior parte das tarefas operacionais do departamento pessoal.
Na prática da transição de escalas, a IA atua em três frentes vitais:
- Redistribuição preditiva: algoritmos já conseguem cruzar dados de vendas, fluxo de loja e sazonalidade para montar automaticamente a escala 5×2 ideal, alocando a equipe nos “horários de pico” e reduzindo horas ociosas.
- Alertas de compliance: a IA atua como um escudo jurídico preventivo, enviando notificações ao gestor antes que o funcionário estoure o limite da carga horária semanal.
- Análise de desgaste: identificação de padrões de faltas e atrasos para prever quais colaboradores estão à beira da exaustão, permitindo ajustes rotativos antes que a empresa perca o talento para o esgotamento.
“A tecnologia mudou o papel do RH de um setor que apenas ‘fecha folha’ para um setor que antecipa riscos financeiros”, conclui Renan Conde. “Sobreviver ao fim da escala 6×1 não será sobre contratar mais pessoas para tapar buracos, mas sobre aplicar inteligência de dados para fazer a mesma equipe trabalhar melhor, de forma saudável e 100% dentro da lei.”
Como o possível fim da escala 6×1 afeta a minha empresa? – Jornal Empresas & Negócios


