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Mercado de telecom pode chegar a US$ 1,3 trilhão até 2028

em Destaques
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Setor avança globalmente, enquanto Brasil encara desafios estruturais e tecnológicos

O mercado global de telecomunicações segue em expansão e superou a marca de US$ 1 trilhão em 2023. É o que aponta um levantamento da PwC, que projeta crescimento anual de 2,9% até 2028, quando o setor deve atingir US$ 1,3 trilhão.

No Brasil, o movimento também é positivo, com projeção de US$ 32 bilhões em 2024. Segundo a consultoria Mordor Intelligence, o segmento nacional pode ultrapassar US$ 43 bilhões até 2029, com avanço anual de 6,17%, o que reforça um cenário aquecido para os próximos anos.

Pesquisa revela tendências de telecomunicações nos próximos anos
O estudo indica que o setor de telecom segue como peça-chave da economia digital e é responsável por movimentar receitas trilionárias. Embora o ritmo de expansão esteja mais moderado, o mercado se ajusta para lidar com maior competição e demanda por eficiência.

Enquanto países emergentes ampliam rapidamente a base de assinantes, mercados maduros apresentam estabilidade. Até 2028, o crescimento do número de usuários deve ser o principal motor da expansão, já que o gasto médio por cliente permanece em queda.

Além disso, a inteligência artificial também passa a ocupar papel central nas estratégias. As empresas adotam a tecnologia para reduzir custos, melhorar a experiência do consumidor e otimizar processos internos. No segmento corporativo, ganham destaque as soluções de IoT, cibersegurança e redes privadas.

O avanço do 5G contribui para essa transformação. A tecnologia pode representar dois terços das assinaturas globais até 2028 e começa a mostrar potencial em aplicações industriais, conectividade fixa sem fio e setores com operações intensivas em campo.

Os investimentos em infraestrutura também passam por reorientação. Segundo a pesquisa, a fibra óptica se fortalece como prioridade por oferecer maior robustez e será essencial para sustentar redes mais densas e aplicações baseadas em IA.

Brasil cresce no setor, mas ainda enfrenta obstáculos
O Brasil já contabiliza 341,7 milhões de assinaturas em serviços de telecomunicações, de acordo com a Anatel. Mesmo com esse alcance, ainda enfrenta entraves para acompanhar a velocidade das novas aplicações tecnológicas.

Especialistas ressaltam que a ausência de um Plano Nacional de Internet das Coisas está entre os principais desafios. Enquanto o tema avança lentamente no país, outras nações já estruturam regulações que impulsionam a produtividade e fortalecem serviços públicos.

A interoperabilidade também é motivo de preocupação. Os consumidores esperam que dispositivos funcionem entre plataformas variadas, mas a falta de padrões comuns ainda cria barreiras técnicas e limita soluções integradas.

Outro ponto crítico envolve a gestão de equipes externas, responsáveis por atividades de manutenção, instalação e atendimento. Processos manuais, baixo nível de digitalização e limitações no monitoramento reduzem a eficiência e elevam os custos operacionais.

A NIO empresa que atua no setor de Telecomunicações, afirma que a automação, a integração de sistemas e a modernização das operações serão fundamentais para aumentar a competitividade das operadoras brasileiras nos próximos anos.

Oportunidades e panorama do setor para os próximos anos
Especialistas avaliam que o setor de telecom deve entrar em uma fase de consolidação tecnológica. Novos modelos de infraestrutura têm potencial para redefinir a forma como usuários e empresas se conectam e utilizam serviços digitais.

Esse processo tende a acelerar a profissionalização das operações e ampliar a necessidade de eficiência e padronização, que ainda são pontos sensíveis no cenário nacional. Entre as principais tendências para operadoras, estão:
• 5G cada vez mais consolidado: expansão da cobertura e uso em aplicações industriais, agronegócio e cidades inteligentes;

• Telefonia em nuvem: redução de custos e maior flexibilidade na comunicação corporativa;

• Redes híbridas: combinação de fibra, wireless e satélite para ampliar alcance e resiliência dos serviços;

• Inteligência artificial: automação de atendimento, análise preditiva e otimização de operações de campo;

• Sustentabilidade: uso de infraestruturas mais eficientes, menor consumo energético e melhor gestão de resíduos eletrônicos.

A expectativa é que o setor avance de maneira mais estruturada, com mais eficiência operacional e oferta de serviços de maior valor agregado. Esses elementos serão essenciais para sustentar o crescimento da economia conectada nos próximos anos.