Maternidade e Trabalho: não existe caminho certo ou errado

Bárbara Nogueira (*)

Conciliar a maternidade e o trabalho ainda é um tabu na sociedade atual e um desafio na vida das mulheres. Por isso, gostaria de levantar algumas reflexões sobre esse tema, aproveitando os meus primeiros três meses como mãe e empresária. Vale ressaltar que cada uma vivencia a maternidade à sua maneira e tem diferentes obstáculos pelo caminho.

Assim, o objetivo aqui é compartilhar a minha vivência e realidade, em uma gravidez tranquila e sem complicações, e tentar contribuir com outras pessoas que também vivem os mesmos desafios, para que passem por esse período de forma mais tranquila e prazerosa.

Eu tive uma bebê em maio e me programei, desde quando engravidei, para não parar minhas atividades profissionais quando minha filha nascesse. Era um desejo meu não deixar o dia a dia de trabalho, pois me faz tão bem, além de continuar contribuindo com a empresa e com a sociedade.

Essa dupla jornada já faz parte da rotina de muitas mulheres em todo o mundo e, agora, também da minha, mas, evidentemente, foram necessárias muitas adaptações para conciliar todas as questões, que não são simples nem fáceis.

Ser mãe de primeira viagem, então, é extremamente desafiador e um enfrentamento diário de uma novidade atrás da outra. Afinal, não temos nenhuma experiência no assunto. E mesmo buscando estudar as mais atuais teorias, na prática, é tudo diferente e mais complexo.

Depois de três meses, posso dizer que, com o tempo, tudo se adequa, mas é preciso ter e buscar a habilidade de gestão do tempo para conseguir dar conta de tudo. Ainda é importante salientar que esses ajustes dependem de como cada mulher enfrenta esse momento de dupla – ou até tripla – jornada, para deixá-lo mais leve. No meu caso, procurei me preparar física e psicologicamente para engravidar, em um processo bem planejado.

Após a descoberta da gravidez, tentei entender quais os principais pontos que eu deveria organizar para conseguir conciliar o trabalho com a chegada de um filho.
Em meu planejamento, busquei criar e estruturar uma rede de apoio que pudesse me amparar quando a bebê chegasse. Foi um passo fundamental para conseguir seguir, com tranquilidade, com minhas responsabilidades na empresa, aliadas à maternidade. Reprogramei, então, a minha rotina e reconfigurei todo o funcionamento da casa.

Afinal, iria trabalhar 100% em home office e precisava de um ambiente que me proporcionasse bem-estar para as duas atividades. Ao longo dos primeiros dias após o nascimento da minha filha, começaram os testes para perceber o que melhor se encaixava no dia a dia e promover as adequações necessárias. Na minha realidade, além desse eficiente planejamento, com variadas possibilidades e muito suporte, foi e tem sido fundamental, nessa fase inicial, o apoio e a presença de meu esposo.

Dessa forma, sincronizamos os compromissos de ambos aos cuidados com o bebê. Nesse contexto, foi necessário exercer a boa comunicação, a gestão de conflitos e interesses, bem como a argumentação, o poder de influência e o planejamento, competências e habilidades (soft skills) também muito requeridas dentro das organizações.

No caso das mães que não estão amparadas por essa rede de apoio, ou mesmo não têm o pai da criança por perto, pode ser interessante e prudente pedir ajuda de pessoas próximas ou de profissionais (cuidadores ou creches) para conseguir um tempo de trabalho bem definido. Lembre-se de que não é preciso ter medo nem receio de delegar algumas tarefas, pois a maternidade, por si só, já é um grande desafio.

Contar com esse suporte é muito bom, gratificante e vital. Outro ponto essencial para manter o bem-estar nesse período de novidades e adaptações é assegurar a automotivação, se espelhando em exemplos de sucesso. É importante não desistir, praticar a resiliência e o controle emocional.

Saber que se trata, realmente, de um período desafiador e cansativo, porém é preciso entender que tudo é possível, quando bem orquestrado. E, para sua saúde mental estar equilibrada, é primordial seguir, dentro do possível, com as atividades que te fazem bem, desde o trabalho e o lazer, até exercícios físicos, terapias e hobbies. Procure não abdicar daquilo que te deixa feliz, ainda que não seja possível conciliar tudo.

A nossa felicidade como mulher reflete na felicidade dos nossos filhos. Sendo assim, quanto mais “inteira” estamos, mais nos entregaremos à maternidade e às responsabilidades profissionais. Ter outras tarefas, além de ser mãe, inclusive me aproxima mais da minha filha. E todos esses aspectos foram essenciais para que eu pudesse chegar ao terceiro mês da maternidade tranquila e feliz, conciliando os cuidados com minha filha com o trabalho que eu amo, de uma forma saudável.

Essa é uma das chaves da minha felicidade. Por fim, não existe certo ou errado quando o assunto é trabalho e maternidade. O que importa é você decidir e seguir o seu caminho: optar por ser mãe full time e abdicar da carreira ou conciliar as duas questões, bem como escolher não ser mãe. Como os versos da música de Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é”.

(*) – Graduada em Psicologia, é diretora, career advisor e headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos de média e alta gestão, que atua em todos os setores da economia na América Latina.

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