
Executivos hands-on, com foco em execução e capacidade de atuar sob alta pressão, são peças-chave para empresas em expansão
O perfil do líder nas empresas brasileiras está mudando de forma acelerada. Se até pouco tempo, o foco estava em executivos voltados à estratégia e planejamento, hoje a demanda é por líderes que tenham capacidade real de execução, atuem próximos aos times e estejam dispostos a “colocar a mão na massa”.
Tiago Patrício, fundador do allhands e especialista em gestão de empresas em fase de scale-up, processo de expansão, define esse novo perfil como o “hands-on leader”.
“O mercado está cansado de líderes limitados a discursos poéticos inflamados e apresentações de PowerPoint com belos design, mas pouco conteúdo agregador. Startups e empresas em crescimento precisam de profissionais que executem, resolvam gargalos e liderem pelo exemplo”, afirma Patrício.
E o que caracteriza um hands-on leader? Para o executivo, trata-se de um líder que alia visão estratégica à capacidade operacional. “Ele atua na linha de frente, participa de reuniões táticas, acompanha indicadores no detalhe e não teme decisões difíceis”, explica Patrício.
Esse modelo é especialmente valorizado em ambientes de equipes reduzidas, prazos apertados e metas ambiciosas. “Investidores estão cada vez mais exigentes. Crescer não basta — é preciso crescer com eficiência e governança. Isso exige líderes que saibam executar”, ressalta.
Dados recentes reforçam essa tendência. Segundo o relatório “2025 CFO Leadership Vision”, da Gartner, 76% dos CFOs já co-gerenciam estratégias de dados e analytics em toda a empresa, enquanto 58% utilizam inteligência artificial em operações financeiras com foco em entregar retorno sobre investimento (ROI) imediato. Essas práticas evidenciam um perfil financeiro que alia funções táticas e operacionais à visão estratégica, demonstrando que o modelo hands-on já é predominante entre altos executivos.
E, entre os atributos valorizados no novo perfil de líder estão a capacidade de execução rápida, a habilidade para liderar times multifuncionais, além de conhecimento prático, comunicação clara e flexibilidade para adaptar estratégicas conforme a realidade do negócio.
“O hands-on leader navega entre o macro e o micro sem perder a visão de longo prazo. Ele compreende a ambidestria organizacional: cuida do hoje, sem esquecer do futuro”, explica Patrício.
Apesar da alta demanda por esse perfil, ainda é comum encontrar executivos com formação essencialmente estratégica, mas pouca vivência prática. “Por isso, nosso foco está em desenvolver uma nova geração de líderes que entendam que a execução tem o mesmo peso da visão estratégica”, conclui o executivo.



