Liderança e segurança psicológica: o caminho para equipes de alta performance

Carla Béck (*)

A pergunta que mais se faz no universo empresarial é: como ter equipes de alta performance na empresa? Surpreendentemente, a resposta cabe em uma palavra: liderança. Líderes sempre podem ser desenvolvidos com técnicas e, mesmo aqueles considerados bons, podem sempre se aperfeiçoar. Ao falar em alta performance, muitas vezes pensamos em atletas. O esporte é uma rica fonte de exemplos de equipes de alta performance, mas por qual razão isso acontece?

Basicamente, a equipe passa muito tempo treinando junta. Esse convívio e intimidade contribuem para a geração de confiança nos integrantes do grupo. Há nesse movimento o conhecer a si mesmo e ao outro que produz uma maior interação e unidade ao grupo. Nesse ambiente existe segurança psicológica. E a liderança? Não é ela a responsável? Antes de mais nada, vamos compreender do que se trata a segurança psicológica.

Segurança psicológica é a crença de que o indivíduo pode trazer o seu verdadeiro “eu” para o trabalho, é a confiança de que ele pode se expressar no trabalho sem retaliações. Trata-se da experiência de cada indivíduo no seu ambiente de trabalho. Se há segurança psicológica, o indivíduo pode se expressar através de ideias, questionamentos, preocupações e erros sem sentir que sofrerá retaliações por parte da sua liderança e/ou equipe.

A segurança psicológica pode ser gerada em qualquer ambiente. Para isso, é preciso uma liderança engajada e efetivamente disposta. Existem barreiras a serem quebradas e técnicas a serem desenvolvidas para que o ambiente de trabalho seja um espaço em que é normal e até mesmo esperado que se tenha preocupações, perguntas, ideias e em que se erre.

O maior problema que um líder pode encontrar em sua equipe é o silêncio. Silenciar quando é preciso falar por medo do que o chefe vai dizer indicam um ambiente sem nenhuma segurança psicológica. Sempre que um questionamento deixa de ser feito, toda a equipe perde a oportunidade de adquirir pequenos aprendizados e de contribuir com ideias novas.

Assumir riscos interpessoais de aprendizado com desconhecidos é o grande desafio para a alta performance, e, apenas um ambiente de segurança psicológica pode permitir que isso aconteça. Cabe ao líder construir esse ambiente. Esse processo é construído em três etapas:

• Reconheça diante de sua equipe que há incertezas à frente e que todos dependem de todos.

• Reconheça sua própria possibilidade de falhar. Utilize frases como “posso ter deixado passar algo, preciso ouvir vocês”. Isso demonstra uma certa vulnerabilidade que gera mais segurança para a equipe falar.

• Modele a curiosidade das pessoas fazendo muitas perguntas, pois isso gera a necessidade de se expressarem.

Existem também barreiras a serem quebradas pelo líder, tanto em si como em toda equipe.

• A primeira é a barreira do conhecimento. Temos a arrogância de considerar que já conhecemos e sabemos de tudo. É preciso mostrar a todos que mesmo o líder sempre tem algo novo a aprender, é o que chamamos de humildade situacional apropriada.

• A segunda é a barreira de ouvir ativamente o outro.

• A terceira é a barreira da competição. O líder deve valorizar a contribuição de todos para demonstrar que estão do mesmo lado, buscando os melhores resultados.

Mas, por qual motivo, nos esportes parece que a liderança não teve papel algum? Em um ambiente de segurança psicológica, com uma equipe de alta performance, a liderança não se destaca, ela simplesmente faz parte da equipe.

Dicas para implementação da segurança psicológica:

• Mostre-se aberto ao feedback. Praticar a escuta ativa é fundamental, pois só é possível entender o que está acontecendo ao ouvir com atenção o que está sendo dito. Por outro lado, ofereça seu feedback. Isso é válido não apenas na relação líder – equipe, mas também entre os membros da equipe.

• Seja tolerante aos erros e diferenças, entendendo o impacto do ambiente nas pessoas. Uma equipe certamente terá membros com vivências e experiências muito diferentes, mas é necessário exercer uma liderança humanizada que perceba que sua equipe é composta por seres humanos, não por engrenagens.

• Pratique a segurança psicológica consigo mesmo. Não se puna tanto pelos seus erros, isso pode gerar insegurança nas pessoas.

• Não replique ou incentive comportamentos hostis. Esse comportamento animoso destrói a segurança psicológica do ambiente.

• Incentive sua equipe a se arriscar. Empodere as pessoas para que elas resolvam os problemas. Quem está na linha de frente pode ter mais conhecimento para solucionar um problema do que o líder. As pessoas precisam acreditar em si mesmas, e, em muitas situações o líder não será necessário para solucionar questões da sua equipe.

(*) – É psicóloga, especialista em desenvolvimento humano e diretora na empresa InfinitaEPH (www.infinitaeph.com.br).

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