Expectativas econômicas e seu bolso em 2021

Conrado Navarro (*)

O ano de 2020 agora é uma enorme lembrança, mas também foi foco de aprendizado e base para importantes mudanças, tanto em nível pessoal quanto de governos. Com o início da primeira semana útil do mês, algumas perguntas começam a passar em nossas cabeças, como: o que vem pela frente e o que esperar de 2021?

Do ponto de vista econômico, os agentes financeiros consideram que a inflação oficial (medida pelo IPCA) ficará perto de 3,3%, o que representa uma expectativa mais baixa do que o indicador esperado para 2020 (4,4%).

Parte da esperança em uma inflação menor se dá por conta do ajuste natural dos preços, movimento que começou a ser visto em novembro e dezembro de 2020 e deve persistir por mais alguns meses.Por outro lado, parece que parte do esforço para conter a inflação também virá da elevação da Taxa Selic.

Ainda de acordo com o boletim Focus, a Selic fecharia 2021 acima de 3%, passando para 4,5% em 2022 e 6% em 2023. Se a inflação permanecer sob controle, com juros baixos e houver alguma recuperação econômica e novas medidas de estímulo, 2021 pode ser melhor e mais fácil. Mas há um ônus futuro para o país em termos fiscais que também deve ser levado em conta.

Como tudo isso muda no seu bolso? Para o investidor pessoa física, rentabilidades reais sem risco continuarão sendo difíceis de encontrar – ganhos que ultrapassam a inflação, mas com baixa volatilidade. A saída continuará sendo construir uma reserva financeira, mas diversificar parte do patrimônio. Das lições trazidas de 2020, precisamos prestar atenção especial em:

  1. Construir uma reserva de emergência – Parece que a vacinação logo tomará o lugar do pânico em relação à pandemia do Covid-19, mas ainda assim não dá para ter certeza de que 2021 será um ano “normal”. Muitos estados, inclusive, já estenderam o período de calamidade para junho/2021.

Neste sentido, ter algum dinheiro guardado faz muita diferença. A liquidez é importante, portanto, a ideia de uma reserva precisa ser a de recursos facilmente resgatáveis em caso de necessidade.

  1. Gerar mais renda, trabalhando mais e melhor – Os desafios enfrentados em 2020, somados à realidade assustadora da inflação de determinados setores, como de alimentos (um dos mais afetados), requerem mais atitude e busca ativa de oportunidades de geração de renda.

O salário-mínimo vigente em 2021 será de R$1.100,00, com ganho nominal de 5,26% (e ganho real de pouco mais de 1%), mas nem todos os brasileiros terão emprego tão rapidamente. Por isso, criatividade, energia e disposição serão ingredientes essenciais em 2021.

  1. Guardar mais dinheiro, diversificando com a inteligência – Quanto mais você aprender e praticar o planejamento financeiro de qualidade, melhor. Isso significa dar mais atenção para o controle do dinheiro no dia a dia e para a decisão de guardar e investir. Em 2021, é fundamental criar o compromisso de guardar mais dinheiro. Por quê?

Primeiro, porque para ter rentabilidades maiores, você terá que arriscar uma parte do patrimônio (e ele precisa crescer para isso);

Depois, porque você já percebeu como ter uma reserva maior faz muita diferença! Isso, diante dos desafios causados pela situação vivenciada em 2020 e que pode perdurar por mais algum tempo.

Conclusão – Encare 2020 como um ano de aprendizado e lições colocadas à tona “na marra”. O ano de 2021, no entanto, será um período em que seremos capazes de escolher como lidar melhor com esta nova realidade. E isso depende de nós.

Ao longo do enorme desafio apresentado em 2020, fomos provocados a pensar mais e melhor. Agora teremos que usar a sabedoria adquirida para tomar decisões em um cenário de maior normalidade. Então, que tenhamos serenidade e planejamento para isso.

(*) – É Sócio e Especialista em Finanças da fintech Grão.

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