
Bernardo Mascarenhas (*)
Nos últimos meses tenho observado uma mudança bastante clara no comportamento das empresas quando o tema é contratação de executivos. Se nos últimos anos muitas organizações estavam concentradas em discutir estratégia, hoje a agenda está muito mais voltada para execução, disciplina operacional e entrega consistente de resultados.
Para 2026, a tendência é vermos empresas ainda cautelosas do ponto de vista de custos, mas muito mais objetivas na busca por líderes capazes de transformar estratégia em ação concreta. Em um ambiente marcado por maior complexidade, volatilidade e pressão por produtividade, ganha força o executivo com perfil híbrido: alguém que combina repertório técnico sólido com competências comportamentais bem desenvolvidas.
As organizações buscam profissionais com pensamento analítico, visão estratégica, adaptabilidade, tomada de decisão orientada por dados e forte capacidade de gestão de pessoas. Mas, acima de tudo, procuram executivos capazes de conectar a estratégia do papel com a realidade da operação, garantindo que planos se traduzam em resultados tangíveis.
Outro ponto que ficou muito evidente ao longo de 2025 é que a demanda não se concentrou apenas em áreas específicas, mas principalmente em funções consideradas críticas para a sustentabilidade e competitividade dos negócios.
Áreas ligadas a operações, eficiência e excelência operacional seguiram extremamente demandadas, especialmente em empresas pressionadas por custos, eficiência produtiva e previsibilidade de resultados.
Ao mesmo tempo, a agenda de sustentabilidade e ESG consolidou-se como um pilar estratégico dentro das organizações. Cresceu a demanda por executivos com experiência em governança, gestão de riscos, licenciamento, relacionamento com stakeholders e integração efetiva das práticas ESG à estratégia do negócio.
Outra frente que ganhou protagonismo foi a de finanças estratégicas, especialmente em áreas como FP&A, controladoria e planejamento financeiro. O foco tem sido cada vez maior em análise de dados, suporte à tomada de decisão e gestão de riscos em ambientes de maior complexidade.
Além disso, a agenda de transformação digital, dados e automação continua avançando de forma transversal nas empresas. Cada vez mais, essas competências deixam de estar concentradas apenas nas áreas de tecnologia e passam a ser incorporadas diretamente nas áreas de negócio.
Um aspecto que também vem ganhando bastante relevância é a qualidade da liderança na gestão de pessoas. As empresas têm buscado executivos com histórico consistente de desenvolvimento de equipes, capazes de construir ambientes de confiança, promover diversidade e inclusão e manter elevados níveis de engajamento.
Existe uma compreensão cada vez mais clara de que times motivados, saudáveis e com senso de pertencimento tendem a gerar resultados mais consistentes e sustentáveis no longo prazo.
Do lado das empresas, também percebemos processos de contratação mais criteriosos e estruturados. Há um cuidado maior na definição do perfil ideal, no uso de avaliações mais aprofundadas e na análise de histórico real de entrega de resultados, além do tradicional alinhamento cultural.
No fim do dia, a conclusão é bastante clara.
Em um ambiente de mudanças constantes, o executivo certo deixou de ser apenas uma posição preenchida e passou a ser um ativo estratégico para a sustentabilidade do negócio.
E talvez essa seja uma das reflexões mais importantes para os próximos anos: as organizações estão buscando apenas bons currículos ou líderes verdadeiramente preparados para executar, transformar e sustentar resultados em ambientes cada vez mais complexos?
(*) VP & Partner da FESA Group.
A nova liderança na Era da IA: autonomia e decisão além da gestão – Jornal Empresas & Negócios


