
Gabriel Carezzato (*)
Enquanto a maioria das empresas discute inteligência artificial, automação e transformação digital, um problema muito mais básico ameaça “silenciosamente” o caixa de boa parte delas: dados que não se conversam.
Isso não é um problema novo, mas ganhou uma dimensão diferente nos últimos anos. A digitalização acelerada fez as empresas acumularem diferentes sistemas, planilhas, dashboards que apenas uma ou poucas pessoas sabem mexer. O resultado é um ambiente onde cada área enxerga um pedaço da empresa, mas ninguém observa o todo, e as decisões que deveriam ser rápidas e embasadas acabam sendo lentas e baseadas em achismos.
Um levantamento da Gartner mostrou que 70% dos projetos de inteligência artificial falham justamente por falta de dados integrados e de qualidade, o que coloca o problema muito antes da tecnologia. A falha pode estar na base, na forma como as informações são coletadas, armazenadas e conectadas dentro da organização.
Nos dias atuais, toda empresa gera dados em quantidade mais do que suficiente. A questão é que esses dados ficam em compartimentos, sem diálogo entre si. O time de marketing não sabe o que o comercial está fechando, o financeiro descobre o custo real de uma campanha semanas depois de ela já ter rodado e o gestor que precisaria tomar uma decisão na segunda-feira fica esperando um relatório consolidado que vai chegar na quinta.
Essa fragmentação de dados custa caro, e não só em receita perdida, mas em tempo de gestão desperdiçado, em erros de precificação e em contratações feitas com base em projeções desatualizadas/ultrapassadas. Do outro lado da moeda, conforme aponta o relatório da consultoria McKinsey, empresas orientadas por dados têm 23 vezes mais chances de conquistar novos clientes e 19 vezes mais chances de serem lucrativas, comprovando que dados não integrados podem sim prejudicar a saúde financeira de uma empresa.
Na prática, o vazamento aparece de formas que raramente são associadas ao problema real. Pode ser uma reunião que dura três horas porque ninguém tem os números certos, uma decisão importante tomada com base em dados antigos, um cliente perdido porque o time de pós-venda não sabia o que o marketing havia prometido. Esses cenários não são considerados “problema de dados”, mas como custo operacional alto, fazendo a conta não fechar no final do mês.
Enfim, para evitar que isso aconteça, integrar dados não deve ser um projeto restrito apenas ao TI, e sim uma decisão estratégica, que quanto mais tarde for tomada, mais caro fica, colocando a empresa numa situação mais difícil de sair.
(*) Co-founder da Tech Rocket, spin-off da Sales Rocket dedicada à criação de soluções em Revenue Tech, unindo Inteligência Artificial, automação e inteligência de dados para escalar toda a jornada de vendas da prospecção à fidelização. Seus agentes de IA, modelos preditivos e integrações automatizadas transformam a operação comercial em um motor de crescimento contínuo, inteligente e mensurável.




