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Da dívida ao equilíbrio: passos práticos para organizar as finanças e começar de novo

em Destaques
sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Em meio ao alto endividamento das famílias brasileiras, especialista mostra como planejamento e decisões conscientes podem transformar dívidas em oportunidades

O cenário de endividamento no Brasil atingiu patamares críticos, com cerca de 80% das famílias com contas a vencer em setembro de 2025 . Em meio a juros exorbitantes de modalidades como cartão de crédito (que chegou a 449,9% ao ano) e cheque especial (média de 7,33% ao mês), a busca por soluções de organização financeira se torna urgente.

A educação financeira aponta que o primeiro passo para a liberdade é o controle dos gastos, seguido pela substituição de dívidas caras por opções mais acessíveis, como o crédito com desconto em folha.

“Muitos brasileiros recorrem a empréstimos para quitar dívidas, e isso é um movimento inteligente, desde que se troque uma dívida cara por uma barata. Essa substituição, com taxas significativamente mais baixas, como as do crédito consignado, não é apenas uma forma de conseguir dinheiro, mas o primeiro e mais importante passo para reestruturar a saúde financeira e, finalmente, conquistar a liberdade”, afirma Kaike Ribeiro, CEO da Finanto, fintech que democratiza o acesso ao crédito por meio da tecnologia e inovação financeira.

O caminho para a saúde financeira passa pela disciplina e pelo uso estratégico das ferramentas disponíveis no mercado. Para Ribeiro, o segredo está em cinco passos práticos que o consumidor deve seguir:

  1. Mapeie a dívida e calcule a economia
    O primeiro passo é identificar as dívidas mais onerosas. É fundamental calcular o Custo Efetivo Total (CET) de cada uma. O CET inclui juros, tarifas e encargos, dando uma visão real do quanto o consumidor está pagando.

De acordo com dados do Banco Central, em agosto, a média da taxa de juros do cartão de crédito rotativo ficou em 15,29%, enquanto o crédito consignado ao setor privado ficou em 3,79%. Confira o comparativo da taxa média mensal de algumas modalidades de crédito:

Modalidade de Crédito Taxa Média (Ao Mês)
Cartão de Crédito Rotativo 15,29%
Cheque Especial 7,49%
Crédito pessoal 6,12%
Crédito com Desconto em Folha 3,79%

“Ao trocar uma dívida de cerca de 7,5% ao mês por uma de aproximadamente 4% ou menos, por exemplo, o cliente não está apenas substituindo um credor por outro; ele está, na verdade, economizando centenas ou milhares de reais em juros ao longo do tempo. Esse valor economizado é o que deve ser direcionado para o planejamento futuro”, explica o executivo.

  1. Negocie e use a tecnologia a seu favor
    Com o valor do novo crédito em mãos, o consumidor ganha poder de negociação. É possível buscar um desconto significativo junto aos credores originais para a quitação à vista.

“É importante que o consumidor utilize as ferramentas digitais e a tecnologia disponíveis no mercado para garantir um processo de contratação rápido, transparente e seguro, evitando a burocracia desnecessária”, destaca Kaike.

A inovação no setor financeiro tem como objetivo eliminar intermediários e garantir que o cliente tenha todas as informações claras para tomar a melhor decisão.

  1. Crie um orçamento realista e a regra 50/30/20
    Antes de qualquer coisa, é preciso saber para onde seu dinheiro está indo. Crie um orçamento realista, mapeando receitas e despesas. Uma diretriz amplamente utilizada é a regra 50/30/20, que consiste em utilizar 50% da renda para necessidades essenciais (moradia, alimentação, transporte); 30% para gastos não essenciais (lazer, compras, hobbies); e 20% para investimentos e quitação de dívidas.
    O mais importante é que essa divisão seja realista para a situação atual, permitindo ajustes conforme a evolução da saúde financeira.
  2. Elimine os gastos invisíveis
    Os pequenos gastos diários, como cafés, lanches e assinaturas não utilizadas, são os grandes vilões do orçamento e costumam ser os mais difíceis de rastrear. Faça uma auditoria de seus extratos e identifique onde estão esses “ralos” de dinheiro.

Muitas vezes, a economia gerada ao cortar ou reduzir esses gastos já é suficiente para começar a construir uma reserva ou acelerar a quitação de uma dívida.

  1. Planejamento pós-quitação: o caminho para a liberdade
    Quitar as dívidas é apenas o começo. O passo crucial para a liberdade financeira é o planejamento que se segue. A parcela reduzida e fixa deve ser encarada como um compromisso, e a diferença economizada deve ser canalizada para a construção da reserva de emergência.

O uso consciente do crédito consignado exige informação e planejamento, mas pode representar um ponto de virada para quem busca estabilidade. Quando aliado à educação financeira e a hábitos de consumo mais equilibrados, ele deixa de ser apenas um empréstimo e se transforma em uma ferramenta de recomeço, ajudando o brasileiro a reconquistar tranquilidade e segurança no dia a dia. “A liberdade financeira não é sobre ter muito dinheiro, mas sobre ter controle sobre ele. A disciplina de manter o orçamento sob controle e começar a poupar é o que transforma o endividado de hoje no investidor de amanhã”, conclui o CEO da Finanto.