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Cross-border sem atrito: o que ainda trava as vendas internacionais?

em Destaques
quinta-feira, 07 de maio de 2026

Marlon Tseng (*)

O comércio eletrônico internacional segue em forte expansão e deve movimentar mais de US$ 7 trilhões até 2030, segundo estimativas da Statista, impulsionado pela digitalização e pela crescente demanda por compras globais. No entanto, por trás desse avanço, existe um desafio menos visível, e ainda subestimado por muitas empresas: a fricção nos pagamentos cross-border, que continua sendo um dos principais entraves para a conversão e a escalabilidade das operações internacionais.

Dados de mercado mostram que o problema está concentrado justamente na etapa final da jornada. Segundo o Baymard Institute, cerca de 70% dos carrinhos são abandonados globalmente, muitas vezes por dificuldades no checkout.

De acordo com o relatório Airwallex Cross-border E-Commerce Report, 77% dos consumidores afirmam que abandonariam o carrinho por não encontrarem a forma de pagamento preferida, um fator crítico em operações internacionais, onde hábitos de consumo variam significativamente de país para país.
Além disso, a predominância de métodos de pagamento alternativos reforça esse cenário: um estudo da Capgemini mostra que 50% das transações no e-commerce e 30% nas lojas são feitas por meio de uma carteira digital, deixando para trás o domínio dos cartões de crédito. Ainda assim, muitas empresas seguem operando com modelos padronizados, sem adaptar a experiência de pagamento aos mercados em que atuam.

Outro ponto sensível está na gestão de risco. Transações internacionais podem apresentar até o dobro de risco de fraude em comparação às domésticas, o que exige camadas adicionais de proteção. Ao mesmo tempo, o chargeback segue como um dos maiores desafios financeiros da operação, com um custo que pode chegar a até três vezes o valor da transação, considerando taxas, logística e impacto operacional.

Esse conjunto de fatores evidencia um “gap invisível” que impede empresas de capturar todo o potencial do e-commerce global. Enquanto investimentos em marketing e logística avançam, a etapa de pagamento ainda carece de atenção estratégica, especialmente no que diz respeito à localização, eficiência cambial e experiência do usuário.

Os dados mostram que o principal ponto de perda nas vendas internacionais está no pagamento. Não basta atrair o consumidor, é preciso garantir que ele consiga concluir a compra com facilidade, segurança e usando o método que ele confia. Quando isso não acontece, o impacto na conversão é direto e significativo. Empresas que investem em uma infraestrutura de pagamentos localizada, com gestão de risco inteligente e opções adaptadas a cada mercado, conseguem aumentar a conversão em até 30% e reduzir significativamente perdas com fraude e chargeback.

Diante desse cenário, soluções especializadas em pagamentos cross-border ganham protagonismo ao oferecer uma abordagem mais integrada, com processamento local, múltiplos métodos de pagamento e tecnologias avançadas de prevenção a fraudes. Ao reduzir fricções e tornar o checkout mais fluido, essas plataformas ajudam empresas a transformar um gargalo operacional em uma alavanca real de crescimento.

Em um mercado cada vez mais competitivo, eliminar barreiras invisíveis pode ser o diferencial entre apenas estar presente globalmente e, de fato, performar em escala internacional.

(*) CEO da Pagsmile.

Cross Border D2C: oportunidade para empresas que querem ampliar seus negócios – Jornal Empresas & Negócios