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Consumo resiste, mas endividamento recorde expõe risco de lucro menor nas empresas

em Destaques
segunda-feira, 04 de maio de 2026

Juros elevados, renda comprometida e calendário de grandes eventos pressionam margem e caixa de companhias em 2026

Mesmo com sinais de resiliência do consumo no Brasil, o ambiente para as empresas em 2026 ficou mais complexo. O endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda acumulada em 12 meses em fevereiro, maior nível da série histórica do Banco Central do Brasil.

Ao mesmo tempo, a inadimplência segue elevada e a taxa básica de juros permanece em patamar restritivo, o que pressiona crédito, parcelamentos e capacidade de compra. Para companhias expostas ao varejo e serviços, o risco agora é claro: vender mais sem necessariamente ganhar mais.

A leitura ganhou força após a divulgação de novos indicadores econômicos e das projeções mais recentes do mercado para crescimento moderado em 2026. Para Ravell Nava, especialista em expansão empresarial, marketing e performance comercial e CEO da BRL Educação, a combinação entre consumo ativo e rentabilidade comprimida já aparece no dia a dia. “Há empresas batendo meta de faturamento e piorando resultado. Quando o custo sobe e o caixa não acompanha, o crescimento vira armadilha”, afirma.

Juros altos mudam comportamento de compra – Nas últimas semanas, o mercado passou a recalibrar as expectativas para juros e inflação no Brasil, mantendo o custo do dinheiro elevado por mais tempo. Isso afeta diretamente setores dependentes de parcelamento, ticket médio maior e crédito ao consumidor, como eletrodomésticos, moda, turismo e serviços recorrentes.

Outro fator relevante é o maior comprometimento de renda das famílias com dívidas bancárias e financiamentos. Na prática, sobra menos espaço no orçamento para compras não essenciais, tornando o consumidor mais seletivo e sensível a preço, promoções e conveniência.

“Venda hoje exige inteligência comercial. O consumidor continua comprando, mas compara mais, posterga decisão e troca marca com facilidade. Quem não acompanha isso perde margem para sustentar volume”, diz Nava.

Copa do Mundo e feriados elevam receita mas também custos – O calendário de 2026 adiciona novas variáveis. O país terá dez feriados nacionais e nove pontos facultativos, além da Copa do Mundo FIFA 2026 no meio do ano. Eventos desse porte costumam impulsionar bares, restaurantes, delivery, turismo, eletrônicos e publicidade, mas também elevam custos com equipe temporária, logística, estoque e mídia.

Segundo o estrategista, muitas empresas erram ao interpretar o pico de demanda como ganho automático. “A Copa pode aumentar vendas, mas também aumenta custo de operação. Se o empresário entra sem planejamento, vende mais e sobra menos dinheiro.”

O que empresários devem acompanhar agora – Para Nava, três indicadores serão decisivos nos próximos meses: geração de caixa operacional, margem líquida por canal de venda e dependência de parcelamentos. Empresas que crescem apenas em receita podem enfrentar deterioração silenciosa de resultado. “2026 tende a separar quem administra negócio por vaidade de faturamento e quem opera por lucro real. O mercado vai premiar eficiência”, finaliza.