A transformação do ponto de venda em três tendências

Mateus Larrabure (*)

Você ainda costuma andar com muito dinheiro no bolso? Provavelmente sua resposta é não, porque o mercado de meios de pagamentos vive aquele alvoroço todo decorrente da transformação digital. Você pode efetuar uma compra com dinheiro, cheque, cartão, QRCode, Pix, aproximação. As opções são diversas e estão alinhadas ao mercado global.

A meu ver, uma não substitui a outra, mas serve como forma de complementação do serviço. E isso muda o jogo no varejo que tem a chance de optar pela aceitação de múltiplas plataformas de pagamento, visando a mobilidade para atender o cliente de maneira cada vez mais móvel, evitando filas.

Essas inovações estão aí para aumentar a competitividade no varejo, tanto por ter mais recursos e menor custo, quanto por melhorar a experiência de uso e de atendimento ao consumidor. Abaixo, listo as principais tendências observadas globalmente no ponto de venda nos últimos meses:

1. Uso do Android Na maioria dessas soluções vemos o Android ganhando relevância por ainda ser um sistema pouco existente no varejo. A tendência é que todos aqueles equipamentos que o lojista possui atualmente no ponto de venda: computador, impressora, pinpad, leitores e outros periféricos, possam ser substituídos (em muitos casos) por um SmartPOS (terminais de pagamento Android).

Que será integrado com a automação comercial, possibilitando menor custo, mobilidade e melhor aproveitamento do espaço físico, bem como funcionar em conjunto com o terminal de caixa (PDV) tradicional, expandindo a capacidade e qualidade de atendimento do estabelecimento comercial.

Antigamente, a automação comercial se resumia a um computador com muita coisa plugada e cheia de fios. Hoje, “à grosso modo”, tudo fica fechado dentro de uma caixa. Além disso, o SmartPOS também traz mais segurança nas operações por apresentar um nível de interferência externa reduzido, limitado apenas à venda sem cabo.

2. Terminal por assinatura – Outra tendência forte não necessariamente de vendas, e sim de serviço de assinatura é o TaaS, (Terminal as a Service). O grande lance é a possibilidade de contratar um pacote personalizado por meio de um custo fixo mensal, eliminando assim os investimentos necessários para a compra de terminais de pagamento e toda a gestão operacional dos equipamentos.

Por exemplo, o lojista pode contratar mais serviços, mais maquininhas em datas comemorativas, como Dia das Mães, Natal, quando sabe que terá um volume de vendas maior. E, ao passar essas datas, ele retorna a um pacote mais reduzido. Isso facilita o ganho de escala da sua operação com baixo custo e maior velocidade, permitindo também que foquem no core do seu negócio. Além disso, um atendimento mais ágil e personalizado também aumenta a chance de fidelizar clientes.

3. Lojas autônomas com terminal – A evolução também se estende a lojas autônomas dentro do condomínio com a modalidade de terminal para pagamento sendo mais vantajosa do que àquelas que oferecem pagamento por aplicativo. Isso porque sem o terminal de pagamento o estabelecimento fica limitado somente aos moradores do condomínio que precisam ter um app cadastrado para efetuar a compra, que, além de ocupar espaço no celular, ainda exige os dados do cartão.

Além disso, as compras que ocorrem sem a presença do cartão, como nos pagamentos por QRCode’s ou aplicativos, estão mais sujeitas ao cliente negar que tenha feito o gasto. Isto se chama no jargão do mercado de ChargeBack, onde o varejista acaba tendo a transação financeira estornada pela entidade financeira. Dessa forma, a opção de pagamento com cartão traz mais segurança ao lojista.

O ponto chave é que todas essas inovações em soluções oferecidas, trazem complementaridade ao varejo, que pode escolher a opção mais conveniente de acordo com o seu momento. Globalmente estamos experimentando novas formas de interagir no comércio.

Não será uma transição tão rápida e vamos conviver com todas essas opções de pagamento por um médio prazo, até haver uma convergência completa… mas, se você quer estar à frente de concorrentes, e estar alinhado com o que o mercado oferece e o cliente espera, precisa começar já, era pra ontem!

(*) – Formado em engenharia elétrica, com ênfase em computadores da FEI, é head de integração tecnológica e produtos da Gertec (loja.gertec.com.br).

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