A autogestão das tarefas e rotinas para entender as novas gerações

Eduarda Espíndola (*)

Pela primeira vez na história, cinco gerações habitam o mesmo espaço. Sim, são grupos de pessoas que apresentam gostos, comportamentos e atitudes contrastantes em um mundo em ebulição e que está passando por várias transformações digitais.

Nascidos entre 1946 e 1964, Baby Boomers marca uma nova geração que participou do boom demográfico nos Estados Unidos (aumento grande de nascimentos) e, ao mesmo tempo, período que significou a retomada da economia, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Bem depois vieram as gerações X, Y, Z e Alpha. Apesar dos baby boomers e a geração X ocuparem a maioria dos cargos de liderança dos negócios, as gerações Y e Z, digitais e nômades por natureza, apresentam a maior força de trabalho. Qual o resultado disso e desse intercâmbio de gerações?

Vou lançar mais provocações. Existe, por contingente geracional, uma desconexão entre liderança e liderado? É possível observar uma quebra de expectativas entre os anseios da gestão e dos funcionários? Há polarização entre as pessoas mais jovens que acreditam no potencial da digitalização e as gerações mais longevas que habitam esse mundo que não acreditam?

Nesse conflito gerencial, de um lado reside o medo do desconhecido, de não saber como gerenciar e se reinventar entre tantas novidades digitais e da distância física. Do outro, a busca pelo propósito de vida, da construção de carreira e da necessidade praticamente ininterrupta de liberdade no trabalho, além da promessa do crescimento pessoal e profissional de maneira exponencial. Por fim, a vontade ou cobrança de gerar e receitar uma vida melhor para toda a humanidade.

Nesse cenário cheio de contraste, com vários desafios para serem superados, as línguas diferentes — e muitas vezes divergentes — precisam de tradução. Assim, há alternativas, meios-termos e acordos para serem efeitos a fim de mitigar os conflitos entre as gerações. Neste sentido, existem soluções sendo criadas.

No mundo dos negócios, por exemplo, as tecnologias atuais, da indústria 4.0, podem servir de referência na resolução de diversos conflitos geracionais, não há como negar. A aplicação da tecnologia nos negócios tem um enorme potencial para conectar essas gerações, derrubando barreiras. Assim, chegou a hora de utilizar a tecnologia com inteligência e para as necessidades reais do momento.

Tendo esse princípio como horizonte, vamos partir para casos mais concretos: podemos pensar, por exemplo, no uso de tecnologias que geram insights para a gestão a partir da coleta de dados das rotinas de trabalho em centros de serviços compartilhados das empresas, comumente chamado também de CSCs.

Esses tipos de espaço de trabalho necessitam de uma gestão que compreenda os anseios de funcionários de diferentes gerações, tendo como objetivo lidar diariamente com perfis diversos, sobrecargas e pressão para resolver problemas no menor tempo possível.

Diante desses desafios complexos, ao incorporarem a coleta, análise e uso de dados na rotina das operações dentro das CSCs, os líderes conseguem ter uma visão mais completa do seu time, ajudando-os a eliminar alguns vieses – entre eles geracionais -, facilitando o processo de gestão de pessoas, por exemplo.

Em complemento, com este tipo de soluções, a gestão ganha, ainda: 1. Indicações sobre os principais e potenciais problemas dentro das equipes; 2. Entendimento dos perfis de colaboradores, no nível individual e coletivo; 3. Uso de motores de automações que ajudam a aliviar a sobrecarga de tarefas repetitivas; 4. Motores de recomendação que identificam momentos em que o funcionário precisa de pausas para descansar, balancear jornadas, reduzir horas extras.

Essas são só algumas das referências sobre como os dados podem dar agilidade e confiabilidade na gestão de pessoas num mundo que muda tão rápido, ajudando a compreender os novos cenários e perfis distintos de colaboradores. As opções são muitas e o ganho de ambos os lados. A ideia é alavancar a tecnologia para desenvolver o relacionamento humano. Isso se chama estratégia em alto nível.

Já existe no mercado a possibilidade de um assistente virtual para apoiar o time que trabalha de outros estados do País, por exemplo. Ele nos ajuda conversando com o usuário diretamente na sua telinha, sem competir com e-mails e chats. A partir da captura de dados e interação com a máquina, oferece recomendações e insights personalizados para aumentar a performance profissional.

O assistente também se preocupa com a saúde e bem-estar, medindo o tempo de tela, sugerindo pausas durante o dia e apontando a necessidade de levantar e esticar as pernas ou se hidratar com um copo de água. O direito à desconexão, os insights que nos ajudam a partir dos dados a melhorarem o dia a dia e o incentivo à autogestão das tarefas e rotinas são pontos cruciais para entender as novas gerações e o novo momento “híbrido”.

Por fim, as pessoas sempre serão o foco central, e a tecnologia é o caminho do futuro para ajudar os negócios a se comunicarem, entregando valor às novas e também às longevas gerações, ao mesmo tempo que provoca a tão sonhada sustentabilidade das empresas.

(*) – Com Mestrado pela UC Berkeley School of Information, é Líder de Data Science da Fhinck, startup de inteligência operacional (https://fhinck.com/).

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