
Ignorar riscos digitais pode custar caro. Conheça os equívocos mais comuns que comprometem a segurança das empresas e saiba como evitá-los.
Gustavo Leão (*)
Em um cenário onde ataques cibernéticos se tornam cada vez mais sofisticados, muitas empresas ainda operam sob falsas premissas que comprometem sua segurança digital. Desmistificar essas crenças é essencial para proteger dados, operações e a reputação do negócio.
- “Minha empresa é pequena demais para ser alvo de hackers”
Esse é um dos mitos mais perigosos. Pequenas e médias empresas (PMEs) são frequentemente visadas por cibercriminosos justamente por acreditarem que não são alvos. Muitas vezes, essas empresas possuem defesas mais frágeis, tornando-se presas fáceis para ataques automatizados que exploram vulnerabilidades comuns. - “Ter um antivírus é suficiente para proteger meus dados”
Embora o antivírus seja uma ferramenta importante, ele não oferece proteção completa contra ameaças avançadas como ransomware e phishing. Uma abordagem eficaz de cibersegurança deve incluir firewalls, sistemas de detecção de intrusões, autenticação multifator, programas contínuos de análise de vulnerabilidades, como o Bug Bounty, e, principalmente, treinamento contínuo dos colaboradores. - “Cibersegurança é responsabilidade apenas do departamento de TI”
A segurança digital é uma responsabilidade compartilhada por toda a organização. Funcionários de todos os níveis podem ser alvos de ataques de engenharia social, como phishing. Portanto, é fundamental promover uma cultura de segurança e conscientização entre todos os colaboradores. - “Senhas fortes são suficientes para garantir a segurança”
Senhas robustas são importantes, mas não bastam. A implementação de autenticação multifator (MFA) adiciona uma camada extra de proteção, dificultando o acesso não autorizado mesmo que a senha seja comprometida. Além disso, é crucial evitar o uso de senhas repetidas em diferentes plataformas. - “Dispositivos móveis não precisam de proteção”
Com o aumento do uso de smartphones e tablets no ambiente corporativo, esses dispositivos se tornaram alvos frequentes de ataques. É essencial implementar políticas de segurança para dispositivos móveis, incluindo criptografia de dados, controle de acesso e soluções de gerenciamento de dispositivos móveis (MDM). - “Contratei os serviços de uma empresa terceira, agora estou seguro”
A contratação de serviços de terceiros não garante a segurança dos seus dados nem das suas informações confidenciais. Da mesma forma que a sua empresa possui dificuldades uma empresa terceira também pode ter. Para minimizar os riscos, crie uma política de contratação com definição dos níveis de segurança necessários, avalie a política de segurança e se o terceiro tem treinamentos de segurança regulares para sua equipe, além de checar se o terceiro realiza pentestes regulares ou faz parte de um programa de Bug Bounty para redução do risco de exposição das suas informações.
A cibersegurança deixou de ser um tema técnico restrito ao departamento de TI. Hoje, ela é uma pauta estratégica diretamente ligada à reputação, à confiança do mercado e à sobrevivência do negócio. Um único incidente pode comprometer a credibilidade, afastar clientes e gerar prejuízos difíceis de reverter.
Por isso, segurança precisa estar no orçamento, no planejamento e nas discussões de liderança. Empresas maduras integram o tema à sua governança. Entendem que não se trata de eliminar todos os riscos, mas de reduzir exposição, acelerar a resposta e garantir a continuidade do negócio com clareza e controle.
(*) CIO da IPV7, empresa especializada em soluções tecnológicas que impulsionam a transformação digital de negócios em diversos setores.


