Vexame na ONU

Heródoto Barbeiro (*)

O ditador nega que tenha violado os direitos humanos. É uma mentira divulgada pela oposição com o apoio dos países imperialistas.

Parte da opinião pública mundial toma conhecimento do massacre de civis desarmados e à mercê das forças militares do país. Pessoas pacíficas foram fuziladas sem direito à defesa. As violências são reportadas por meios de comunicação de todo o mundo e os jornalistas comprovam que houve um verdadeiro genocídio.

A reação dos países democráticos é convocar a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e propor imediatam suspensão do país responsável pela barbárie do Conselho de Direitos Humanos. O acusado se defende e diz que tudo não passa de uma fake news montada por adversários internos e internacionais, estes interessados em impedir que o país se torne um ator importante na geopolítica do continente.

Mas não está só, há nações que o apoiam e apontam as nações ocidentais de serem as responsáveis pelas dificuldades econômicas e políticas do mundo, ainda herança da era colonial. O jogo do interesse nas jazidas de petróleo também tem responsabilidade na manutenção do ditador.

O Tribunal Penal Internacional já começou uma investigação a respeito da responsabilidade sobre o massacre de civis e possíveis crimes contra a humanidade. O presidente da Assembleia afirma que a comunidade internacional precisa mostrar união para promover os valores fundamentais da Carta da ONU e diz que esse é o nosso dever para todos os homens e mulheres que esperam e lutam para terem os seus direitos respeitados e que hoje correm sérios riscos.

Ele diz também que a comunidade internacional precisa mostrar união para promover o respeito às leis internacionais e que é dever da ONU para com todos que esperam e lutam para terem os seus direitos respeitados e que hoje correm sérios riscos. O Conselho de Segurança, apesar do direito ao veto das grandes potências nucleares, já impôs sanções ao país e apoia as investigações do tribunal. Este é o sinal verde para a decisão da Assembleia Geral da entidade.

A derrota do líder autoritário na Assembleia é esmagadora. Um verdadeiro vexame diplomático. A decisão de suspensão do pais é tomada por aclamação, um fato inédito na história da ONU. Um único país protesta, a Venezuela. O secretário-geral da ONU reafirma que as ações tomadas por vários órgãos enviam importantes mensagens de que não haverá impunidade àqueles que cometem crimes contra a humanidade.

É um desafio coletivo oferecer proteção às pessoas, primeiro acabando com a violência e, segundo, lidando com o aumento das emergências humanitárias. O ditador Muammar Kadafi, da Líbia, é responsabilizado por reprimir violentamente as manifestações pacíficas que pedem a sua saída do poder. É a primeira vez na história da ONU que um país sofre suspensão no Conselho de Direitos Humanos.

Os fatos mostram até onde vai o desejo de um ditador se manter no poder a qualquer custo e lançar mão de qualquer atrocidade para se perpetuar na liderança da Líbia. O governo de Kadafi é acusado de corrupção e insensibilidade diante do crescimento da pobreza e do desemprego.

Envolvido em uma sangrenta guerra civil, o ditador da Líbia é preso por opositores e morto em 2011.

(*) – É jornalista do R7, Record News e Nova Brasil fm, além de autor de vários livros de sucesso. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina” (https://www.youtube.com/channel/UCAhPaippPycI3E1ZRdLc4sg).

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