Uma balinha na cabeça

Uma balinha na cabeça

O presidente nunca escondeu dos seus eleitores que é favorável a soluções de força.

Armas e tiros foram suas peças de campanha e não havia quem não conhecesse os seus gestos, ou imitasse. Deixou-se fotografar portando armas na campanha eleitoral. Isso nem chegou a ser explorado pelos seus adversários na eleição. Uma vez no poder orienta a polícia e as forças armadas do país a atirar em todo e qualquer potencial criminoso que estiver portando ou comercializando drogas nas ruas das cidades.
Ele mesmo deu várias entrevistas reforçando a ordem com uma arma de grande poder de fogo nas mãos, os fuzis usados pelo tráfico e pelas forças de segurança. O correto é atirar para matar e de preferência mirar na cabeça do suposto bandido, repete. Ele mesmo se dispõe a atirar e fazer justiça com as próprias mãos. É aplaudido pela população e rejeitado pelas organizações internacionais de defesa dos direitos humanos.

A luta contra o tráfico de drogas já matou centenas de pessoas, a maioria suspeita de pertencer a quadrilhas organizadas e infiltradas em todos os lugares, inclusive nos presídios. É verdade que no meio dos tiroteios entre traficantes e forças policias sobraram balas perdidas para pessoas inocentes, inclusive com mortes. Reafirmou nas redes sociais “ a guerra contra as drogas ilegais não será abandonada. Em vez disso, permanecerá tão implacável e arrepiante quanto estava no dia em que começou.

O seu discurso ganhou repercussão internacional quando afirmou: “A preocupação de vocês, ativistas de direitos humanos, são os direitos humanos, a minha, são as vidas humanas, por isso a política de linha dura e enfrentamento do tráfico vai continuar”. O princípio adotado pelo governo é que as drogas são responsáveis pelas destruições das famílias e por isso precisam acabar.

Desde que assumiu o governo o presidente enrijeceu a política nacional anti drogas e durante toda a sua carreira política esse foi o seu mote para conquistar o poder. Seus discursos de assemelham aos de outros dirigentes linhas duras do mundo e que não aceitam nenhuma política contra as drogas que não sejam a repressão, o enfrentamento das quadrilhas e a abstinência total para quem quiser se libertar delas.

Por isso as mortes atribuídas do Estado pela ação da repressão violenta devem ser toleradas ou inocentadas uma vez que é um anseio supostamente nacional. Os palavreados presidenciais sobre a violência são recheados de ofensas e devaneios afinal quando esteve no cargo foi responsável pela morte de pelo menos 2000 pessoas, à frente da prefeitura de Davao, a terceira cidade das Filipinas, com um milhão e meio de habitantes.

Rodrigo Dutarte pontificou na prefeitura por 22 anos antes de assumir a presidência da república asiática. “Minha ordem é atirar para matar”, disse no discurso de posse.

(*) – É editor chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma (www.herodoto.com.br).

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