Deputado sueco chega a Estocolmo

Heródoto Barbeiro (*)

O deputado sueco chega à capital do país, Estocolmo, para mais uma semana de trabalho legislativo.

Desembarca no aeroporto local, faz um pit stop na sala vip que tem direito, toma um lauto café juntando forças para mais uma semana de embates em nome dos eleitores que o elegeram. Sua bagagem é levada por assessores ao carro oficial e parte para o seu apartamento funcional.

No caminho um dos seus muitos assessores o abastece com as fofocas que assombram a cidade e quais os encontros que deverá participar. Uma lista de prefeitos, cabos eleitorais, colegas do parlamento que têm alguma coisa para pedir e o representante do povo da Suécia tem que estar preparado. Não pode ser pego de surpresa.

A segunda parte das informações são as visitas que deve fazer nos ministérios e órgãos federais para atender aos pedidos dos empresários que financiaram a sua campanha eleitoral e precisam ser atendidos. Não só porque assumiu compromisso com eles, isso é administrável, mas principalmente porque no ano que vem tem eleição e ele vai precisar do caixa dois das empresas deles para financiar a campanha. O fundo eleitoral bancado pela população da Suécia não é suficiente.

O parlamento sueco tem uma semana que mata de inveja outros parlamentos do mundo. Começa na terça, dia da chegada do deputado, e termina na quinta à tarde, quando embarca no aeroporto de volta para as suas bases eleitorais. Há rodadas de almoços, jantares e encontros noturnos que consomem a saúde de qualquer um, mesmo os mais acostumados com a vida vibrante de Estocolmo.

Especialmente à noite, com direito a encontros amorosos nas suítes mais caras dos hotéis 5 estrelas. Há quem pague, mas isso não é da conta do deputado sueco. Afinal, se afastar da família, dos amigos, da sua base eleitoral tem que ter alguma compensação. A consciência do deputado sueco está tranquila.
Chegar ao apartamento funcional, com 4 quartos, 2 suites, com todo o serviço de hotelaria funcionando nos seus mínimos detalhes é o que ele merece. A vista do prédio é calmante, dá para o lago de Estocolmo, e o seu domicílio está sempre aberto para os peregrinos amigos que chegam à capital federal. Sente-se gratificado em poder ajudar os que ajudam os interesses do povo.

O deputado sueco é um defensor das causas populares e está de olho no estrago provocado pela pandemia. Vota garbosamente pelo auxílio emergencial de 150 coroas suecas para manter as numerosas famílias que vivem miseravelmente nas favelas espalhadas pelas cidades do país. A diferença de valor entre a moradia funcional e barraco ao lado do córrego que carrega mais esgoto do que água, é suportável.

O imóvel funcional, pertencente ao povo, vale uns 2 milhões de coroas suecas. É o custo da democracia dizem os parlamentares preocupados com as críticas que se espalham nas mídias sociais. O que custa manter mais de 450 apartamentos, ou indenizar com 4 mil e 500 coroas os coitadinhos que não tem apartamento para se alojar?

O contribuinte paga tudo isso com um sorriso nos lábios, porque sabe que está ajudando a democracia a se consolidar e que nenhum golpe de estado venha atrapalhar o processo político como aconteceu no passado da Suécia. As mudanças não são bem-vindas e desnecessárias. Tudo vai bem na terra da padroeira do país, Santa Brígida.

(Em tempo: o corretor de texto trocou os nomes citrados neste artigo. O editor pede desculpas e promete corrigir na próxima edição).

(*) – É jornalista da Record News, Portal R7 e Nova Brasil fm (www.herodoto.com.br).

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