Fotos do Palácio da Justiça revelam o começo e fim da Praça Clóvis

Ganhei de presente um livro institucional raro, editado em 1990, que se chama “Palácio da Justiça São Paulo”. A publicação se deu em comemoração aos 70 anos do lançamento da pedra fundamental para a construção do edifício situado na Praça Clóvis Beviláqua, s/n, no centro de São Paulo.

Os mais velhos, entretanto, sabem que a Praça Clóvis original, não existe mais. Foi engolida após a demolição dos edifícios em seu entorno para dar lugar à Estação Sé do Metrô.

Na foto aérea de 1951 vemos a sede do Tribunal de Justiça, a Praça Clóvis já construída e no entorno árvores, e os primeiros pontos de ônibus que depois tomariam conta do lugar. A Catedral da Sé seguia em construção e o prédio do Fórum João Mendes Júnior ainda não existia.

Os jardins da praça foram retirados no final da década de 1950, para aumentar o terminal de ônibus urbanos que pode ser visto no canto esquerdo desta fotografia acima onde o prédio do TJ-SP também aparece.

Recentemente ouvi de um senhor que estudou no Colégio do Carmo, Pedro Osvaldo Scattone, a informação que antes da construção da Praça da Clóvis existiam casas em frente ao Palácio da Justiça.

Fiquei curioso em saber como eram essas moradias e depois de conversar com meu amigo de longa data, Eduardo Britto, recebi dele o livro escrito por José Renato Nalini, com pesquisa iconográfica de Ebe Reale.

Esses dois, são meus colegas de Academia Cristã de Letras e Academia Paulista de História, respectivamente, o que me enche de orgulho.

Uma das fotos publicadas no livro é esta, de 1932, onde aparecem casarões defronte ao tribunal, prova que o sr. Scattone está certo em suas informações.
Na mesma fotografia aparece também uma espécie de playground. Reparem. Também dá para ver a Catedral da Sé em construção no lado direito acima. 
Pedro Scattone assistiu à demolição das casas em frente ao tribunal a partir de 1946 para dar lugar à Praça Clóvis Beviláqua, cujo nome faz homenagem ao jurista, magistrado, jornalista, professor, historiador e crítico literário, falecido no ano de 1944. Percebem como as datas coincidem?

Uma informação que não está no livro, transmitida pelo sr. Scattone, é que jornais da época noticiaram que durante as escavações para a abertura da praça, encontraram ossadas humanas que sugeriam a existência de um pequeno cemitério anterior às casas e até então desconhecido.

Nesta fotografia tirada do Palacete Santa Helena vemos uma Praça Clóvis arborizada, durante os anos 1960. Nada disso existe mais.

Quando da construção do Metrô, tanto o Edifício Mendes Caldeira quanto o Palacete Santa Helena foram implodidos durante o ano de 1976.

O resultado após as implosões foi este cenário parecido a um bombardeio.

No lugar da antiga Praça Clóvis, além das escadarias de acesso ao Metrô, foi construído um espelho d’água que há bastante tempo vem servindo de piscina e banho para os desafortunados da sorte que perambulam na região.

Ficaram como lembranças do antigo centro, somente a Catedral da Sé e o majestoso Palácio da Justiça, cujas atividades tiveram início em 1933 e uma segunda inauguração aconteceu em 25 de janeiro de 1942.
Precisei fotografar diretamente do livro duas fotos postadas acima, pois as mesmas quase inéditas não estão na internet.

O Palácio da Justiça, hoje considerado monumento histórico de valor arquitetônico e interesse cultural, foi tombado como patrimônio histórico em dezembro de 1981.

Acima aparece a capa do livro institucional Palácio da Justiça São Paulo.

Ressalto que nem todas as fotos aqui postadas saíram na publicação de 1990, quando ainda não existiam os recursos digitais que temos hoje.

Parabéns a José Renato Nalini e Ebe Reale pela publicação, e os meus agradecimentos a Eduardo Britto pelo livro de presente e a Pedro Osvaldo Scattone que fez um rico depoimento sobre a Praça Clóvis.

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