Com voz firme e serenidade Salomão Ésper chega aos 90 anos

Geraldo Nunes

“Sempre fiz do rádio a concretização de um sonho, sem deixar em nenhum momento que o trabalho se transformasse em rotina”, costuma contar a todos o radialista, também advogado e jornalista, Salomão Ésper, que agora completa 90 anos de vida.

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Nascido em Santa Rita do Passa Quatro, no dia 26 de outubro de 1929, se tornou locutor no serviço de autofalantes de sua cidade com 14 anos e, ao ingressar no curso científico, em Pirassununga, aos 16, conseguiu um emprego na emissora local. Ao se transferir para São Paulo, em 1948, veio com o objetivo de dar prosseguimento aos estudos, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, mas fez também um teste para locutor na Rádio Cruzeiro do Sul.

“Havia duas vagas e mil exigências como, pronunciar em inglês e alemão determinados nomes de orquestras sinfônicas e filarmônicas. Além disso pediram a narração imaginária de um desfile de 7 de setembro no Anhangabaú e a descrição em voz do velório de Monteiro Lobato, ocorrido meses antes no saguão da Biblioteca Mário de Andrade. Fiz o teste e fui aprovado juntamente com Cícero Motta, outro jovem iniciante”.

Contratado, a primeira exigência foi para que Salomão entrasse no serviço às 6 da manhã para fazer a locução comercial de um programa sertanejo apresentado pelo animador Chico Carretel que, aos finais de semana, visitava os bairros em caravanas com vários artistas para a apresentação de shows, levando o jovem locutor no apoio de voz. Isso deu a ele grande popularidade, sendo convidado pela Rádio América, então pertencente ao empresário João Saad, para a apresentação de programas de auditório.

Mas Salomão sonhava também com o jornalismo, tendo disputado um concurso para ser o Repórter Esso de São Paulo. Ele foi aprovado e, por alguns meses foi Repórter Esso paulista, na Rádio Record, mantendo seu emprego na Rádio América. Foi então que a Esso transferiu seu noticiário para a Rádio Tupi, obrigando Salomão Ésper a optar por um dos empregos e ele preferiu continuar na América.

Lá, passou a apresentar um programa de calouros chamado ‘Salomão Faz Justiça’. O jingle de abertura gravado pelos Titulares do Ritmo tinha a seguinte letra: “A vida está para o Salomão que não é rei, mas tem a lei na mão. Sabedoria não lhe falta não e, se o calouro enguiça, Salomão faz justiça”.

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Todos sonham em chegar aos 90 anos com a sua mesma vitalidade e disposição. Foto: Ednilson Valia/Portal TT

Ainda na década de 1950 passou a atuar na Rádio Bandeirantes, se transformando em 1961, num dos locutores-apresentadores do jornal falado ‘Primeira Hora’, que ia ao ar seguido de ‘O Trabuco’, apresentado por Vicente Leporace. Este, ao tirar férias, chamava Salomão para substituí-lo. Com o nascimento da TV Bandeirantes, em 1967, passou a apresentar os noticiários da equipe dos ‘Titulares da Notícias’, chefiada por Alexandre Kadunc. Nos finais de semana, comandava na televisão o programa de entrevistas cujo nome era, ‘Justiça com Salomão’.

Com a morte de Leporace, surge o ‘Jornal da Bandeirantes Gente’, tendo como apresentadores Salomão Ésper, José Paulo de Andrade e Joelmir Betting. Na década de 1980, com mais de trinta anos de emissora, Salomão passou a ocupar cargos na diretoria no Grupo Bandeirantes, surgindo na ocasião grande amizade com o então diretor-artístico Luiz Fernando Magliocca, morador da Aclimação, bairro onde também ele reside.

Pai de três filhos, duas moças e um rapaz e avô de três netos, dois meninos e uma menina, Salomão Ésper ainda se recente da perda da esposa Carmen Lygia Matoso Salomão e disse que, para este ano de mais um aniversário com data redonda, não vai querer festa. “Já comemoramos bastante, agora quero descanso”, explicou o radialista em conversa informal durante encontro da Academia Paulista de Jornalismo, da qual faz parte e onde foi homenageado ao lado de outros colegas aniversariantes do mês de outubro.

Salomão Ésper chega aos 90 anos com boa cabeça, lucidez, alegria, e críticas ácidas aos acontecimentos políticos e do cotidiano, sempre contando nas horas de uma boa conversa entre amigos, passagens pitorescas do meio rádio de quem sabe histórias como poucos. Todos sonham em chegar aos 90 anos com a sua mesma vitalidade e disposição.

(*) É jornalista e memorialista, integra a Academia Paulista de História. (geraldo.nunes1@gmail.com).

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