Ana Laura Soares (*)
O mercado imobiliário de alto padrão vive uma transformação silenciosa, mas profunda. Durante décadas, atributos como localização privilegiada, sofisticação arquitetônica e acabamento de excelência dominaram o imaginário do segmento premium. Hoje, embora esses fatores continuem relevantes, eles já não são suficientes para atender às expectativas de um comprador cada vez mais atento a outro elemento: a segurança associada à privacidade.
A maneira como as pessoas desejam morar mudou. Em um contexto de hiperconectividade, exposição constante e crescente preocupação com proteção patrimonial e qualidade de vida, a segurança deixou de ser apenas uma questão operacional para se tornar parte central da experiência de morar. Segundo pesquisa recente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, a segurança é prioridade para 80% dos compradores de imóveis no Brasil. A pesquisa também revelou que tecnologias como a Inteligência Artificial, vem ganhando força no mercado imobiliário para atender as demandas por mais conforto e privacidade dos proprietários.
O conceito contemporâneo de segurança no setor imobiliário é muito mais amplo do que o de vigilância patrimonial. Ele envolve controle inteligente de acessos, proteção de dados pessoais, discrição, gestão eficiente de visitantes e até mesmo soluções arquitetônicas pensadas para preservar a individualidade dos moradores.
Essa mudança acompanha transformações sociais importantes. O aumento da digitalização dentro dos condomínios trouxe avanços relevantes em praticidade e eficiência, mas também novos desafios. Ferramentas como reconhecimento facial, portarias remotas, aplicativos condominiais e sistemas integrados de monitoramento passaram a fazer parte da rotina dos empreendimentos premium. Ao mesmo tempo em que oferecem conveniência, essas tecnologias exigem responsabilidade jurídica e protocolos rigorosos de governança das informações.
Hoje, condomínios lidam diariamente com dados sensíveis de moradores, registros de circulação, imagens, cadastros e informações patrimoniais. Isso torna indispensável a adoção de políticas claras de proteção de dados e de práticas alinhadas à legislação e à segurança digital.
Mais do que nunca, a privacidade passou a ser compreendida como um ativo de valor. Em um cenário em que a exposição excessiva se tornou parte do cotidiano, cresce a busca por ambientes capazes de oferecer proteção, discrição e controle sobre a própria rotina. O imóvel premium passa, então, a representar não apenas patrimônio, mas também tranquilidade.
Segurança e privacidade, portanto, deixaram de ocupar um papel secundário no mercado premium. Tornaram-se pilares estratégicos do desenvolvimento imobiliário contemporâneo. E essa tendência deve se intensificar nos próximos anos, impulsionada tanto pelo avanço tecnológico quanto pela mudança de percepção sobre bem-estar e qualidade de vida.
No segmento de alto padrão, morar bem hoje significa também morar com tranquilidade, com privacidade e segurança.
(*) Ana Laura Soares é coordenadora de Jurídico e Governança da Construtora Sudoeste.
Mercado imobiliário em baixa, mas nem tanto! – Jornal Empresas & Negócios
