Quais recursos podemos aliar para melhor enfrentar as incertezas?

Arnaldo Francisco Cardoso (*)

Pouco mais de uma década atrás, o mundo se defrontava com as incertezas provocadas pela crise econômica global iniciada em agosto de 2008.

Agora nos encontramos em uma nova crise, de tipo diferente, provocada por um vírus que se propagou com enorme velocidade e letalidade por todo o mundo e, novamente, temos as incertezas nos desafiando e exigindo novas respostas para problemas novos e antigos. Diante da atual pandemia, as incertezas quanto a extensão e duração de seus impactos econômicos, destacadamente sobre o emprego e a produção, é fonte de temor.

Como em outras crises, as reações imediatas dos mercados foram ditadas pelo pânico com bruscas oscilações em todo o mundo. De imediato, as respostas macroeconômicas dos Bancos Centrais e governos dos países responsáveis pelas principais economias do mundo foram capazes de reverter o clima inicial de pânico.

Mas, se massas extraordinárias de recursos financeiros (como os
US$ 2,2 trilhões nos EUA) e incentivos disponibilizados pelas autoridades econômicas produziram reações positivas dos agentes do mercado, a chamada “economia real” não reagiu da mesma forma. A história mostra que intervenções estatais emergenciais sobre a economia em crise podem ser eficientes no curto prazo, mas não se sustentam no longo prazo.

O anúncio da queda de 32,9% do PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre de 2020, a maior desde a Grande Depressão da década de 1930, foi seguido de resultados similares em outras economias pelo mundo, como a da Alemanha, a mais robusta da Europa, que registrou queda de 10,1% no segundo trimestre mesmo tendo recebido o maciço socorro financeiro do Estado. No Brasil, o mesmo se observou.

Nas análises econômicas fundamentadas por teorias e conceitos desenvolvidos no enfrentamento da realidade, os escritos de John Maynard Keynes têm sido revisitados, afinal a Macroeconomia ganhou maior prestígio justamente no contexto da grave crise econômica dos anos 1930 nos EUA. Vale lembrar que é a Macroeconomia o ramo da Ciência Econômica que trata dos grandes agregados como a produção e o consumo, o emprego e a renda, a poupança, os juros, a inflação.

Tem como desafio a análise e compreensão do sistema econômico como um todo, considerando as relações entre seus principais agregados. Ao tratar do PIB, identifica a participação das principais categorias de “compradores” na economia, sendo as famílias a principal delas. A compreensão disso é importante para uma adequada análise e orientação das ações diante da crise que estamos enfrentando.

Após a injeção de recursos estatais na economia em todo o mundo, que já somam mais de US$ 17 trilhões, a notável recuperação de importantes índices do mercado de ações (Nasdaq, S&P 500, Nikkei 225, Dax 30, Kospi, Ibovespa…) no mundo levou muitos analistas a perguntarem: Que descolamento é esse entre o mercado de ações e a chamada “economia real”? Complexidade e incertezas são indissociáveis do tempo em que vivemos e exigem cada vez mais de todos nós. É conhecida a sentença de que “é preciso bem conhecer para bem agir”.

Aliar o conhecimento teórico à prática tem sido um dos principais objetivos das melhores escolas em todo o mundo em sua missão de contribuir com a formação das novas gerações. Na área da Administração, e mais especificamente das Finanças, a boa tomada de decisão tem requerido além do conhecimento bem fundamentado pelas teorias e conceitos, um conjunto cada vez maior de informações atualizadas em tempo real e recursos técnicos avançados para análise, planejamento e gestão de investimentos.

Para isso, um desses recursos técnicos cada vez mais valorizados são as plataformas de investimentos acessíveis por meio de aplicativos ou terminais próprios. Uma dessas plataformas é a Bloomberg que em seu site informa que “mais de 800 universidades em todo o mundo possuem um Terminal da Bloomberg ou um Laboratório Financeiro da Bloomberg”. No Brasil, a Universidade Mackenzie é uma dessas instituições de ensino superior que disponibiliza aos seus alunos terminais com mais de 70 funções disponíveis a alunos de graduação e pós-graduação.

Compreender o funcionamento e a lógica das Bolsas de Valores se mostra importante pois são instituições presentes na vida econômica das sociedades de economia de mercado desde o século XVII, promovendo a transformação de poupança em investimento. É bem verdade que o número de empresas no Brasil com capital aberto ainda é muito modesto, cerca de 420, enquanto nos EUA são cerca de 4,4 mil. Mas tem sido crescente o número de multinacionais brasileiras listadas em importantes bolsas do exterior e é crescente também o número de investidores individuais na bolsa brasileira.

O Brasil e o restante das nações do mundo se encontram diante de um momento de grandes desafios para os quais o atual estágio de desenvolvimento científico e tecnológico alcançado poderá se afirmar como uma vantagem se nossas lideranças e, especialmente nossos jovens, assumirem as responsabilidades que o presente exige, para que o futuro possa ser de liberdade e prosperidade para todos.

A história mostra que os saltos no desenvolvimento da humanidade se deram quando houve a valorização do conhecimento, a liberdade para a inovação e a vontade decidida de superar dificuldades.

(*) – É pesquisador e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Alphaville.

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