Pessoas normais não conseguem ser multitask, as mães sim

Pedro Signorelli (*)

Elas têm competência para realizar diversas atividades ao mesmo tempo.

Existem estudos como de Jean-Philippe Lachaux, autor e pesquisador do Laboratório de Pesquisas Cognitivas do Inserm (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica), que apontam que o multitask não funciona, que o melhor é se concentrar em uma tarefa e depois focar em outras, porém, as mães desafiam isso, desempenhando bem de maneira geral, pois não há outra opção.

Historicamente, o trabalho doméstico ficou como responsabilidade das mulheres. Esse trabalho vai além dos cuidados com a casa, o nosso lar físico, mas também se aplica aos filhos. É fato que a questão está em constante transformação na sociedade, mas ainda é algo bastante recorrente em muitas famílias. Diante de tantas responsabilidades ao longo desse tempo, já ficou clara a capacidade de gestão das mulheres, especialmente das mães.

As donas de casa são grandes empreendedoras e precisam ser multidisciplinares, como por exemplo, definir como o filho se veste está relacionado com gestão da imagem, já o cuidado com o alimento disponível e a qualidade tem relação com a cadeia de suprimentos e o nutricionismo, quando o filho se machuca ela coloca em prática seus conhecimentos em psicologia e medicina. As mulheres que se dedicam ao lar têm que desenvolver uma série de qualidades e competências.

O lar é o primeiro ambiente de desenvolvimento dos seres humanos e as mães geralmente assumem a responsabilidade. É normal que a criança até os dois anos, reconheça e valorize muito mais a mãe do que o pai, afinal, boa parte do tempo em que o bebê está acordado, está olhando para mãe enquanto faz a coisa mais importante da sua vida: mamar (se alimentar).

Isso é um fator biológico, mas é claro que o pai deve estar ao lado da companheira para dar apoio e suporte, já que uma criança pequena vai demandar atenção e energia. Neste momento do pós nascimento dos filhos, o pai precisa suprir necessidades da casa e realizar tarefas. Isso parece estranho a princípio para uma sociedade onde a figura paterna passa muito tempo fora de casa por causa do trabalho.

Visto isso, cabe à mãe cuidar e liderar o lar, sendo também responsável pela função de desenvolver e educar as crianças. Porém, o pai pode e deve dividir mais as tarefas do lar com a mãe. O trabalho doméstico é super valioso, principalmente porque tem o poder de formar bem as pessoas. Se hoje temos alguns colaboradores nas empresas que apresentam dificuldade para seguir orientações e se organizar, é porque criou-se um conflito de que o trabalho externo é mais valioso do que o realizado no lar.

Então as mães foram empurradas para esse trabalho externo, como se o trabalho doméstico fosse de segunda categoria, sendo que além de não ser remunerado, demanda muito tempo e investimento. Neste cenário, o OKR – Objectives and Keys Results – Objetivos e Resultados Chaves, pode ajudar a mulher na decisão de se tornar mãe, por exemplo, o que a obrigará a reorganizar as prioridades na sua vida. Afinal, já está mais do que claro que os cuidados com o lar estão longe do óbvio e que esse trabalho deve ser realizado com bastante profissionalismo.

Além disso, cada vez mais as mães precisam conciliar tudo isso com os anseios de carreira profissional. Por essa razão, o OKR também pode ser útil no período após o nascimento dos filhos. A ferramenta vai auxiliar a mãe a se organizar, tanto no desenvolvimento pessoal para estabelecer prioridades, como na organização da casa e na formação dos filhos.

O trabalho doméstico é uma escola de virtudes, um trabalho que tem muito valor, mas que infelizmente ainda é muito subvalorizado.

(*) – Especialista na implementação do método OKR, fundou a Pragmática Consultoria em Gestão, com o objetivo de ajudar outras organizações em suas jornadas de transformação e gestão.

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