Perspectivas da exportação nacional com a saída do Reino Unido da UE

Ruben Paulo Lenartowsky Luiz de França (*)

No último dia 23, os britânicos foram às urnas em um referendo para externar sua vontade de ver o Reino Unido permanecer ou não na União Europeia.

Em uma decisão acirrada, 52% dos votos indicavam que a vontade da maioria era a de deixar o bloco econômico europeu. Ainda que o referendo não tenha por si só natureza vinculativa, ou seja, obrigatória, dificilmente o Parlamento Britânico deverá contrariar a vontade popular, uma vez que isto significaria um eventual suicídio político.

Assim, como a teoria do caos que estabelece que uma pequena mudança ocorrida no início de um evento qualquer pode acarretar em consequências desconhecidas no futuro, os efeitos que a saída da Grã Bretanha do bloco econômico europeu podem causar em escala global ainda é incerto e especulativo. Certo é que, o que ficou conhecido como “Brexit” (junção das palavras Grã Bretanha e Exit), afetará a economia e a geopolítica mundial pelas próximas décadas em proporções consideráveis e ainda incalculáveis, cabendo aos grandes economistas mundiais fazerem o juízo de mérito acerca destas consequências.

Ainda levado pela teoria do caos e sem saber se estas consequências serão positivas ou não a curto e longo prazo, se faz necessário ressaltar que, eventualmente, países como o Brasil podem vir a se beneficiar futuramente desta decisão, uma vez que haveria maior autonomia em eventuais tratados comerciais internacionais envolvendo as duas partes. Estes tratados, uma vez que bilaterais não necessitariam mais se sujeitar às normas comerciais e à ordem de preferência de exportação e importação imposta pelo livre mercado europeu.

Para o empresário nacional que exporta produtos primários, principalmente, insumos para a industrialização de maquinários fabris, esta pode ser uma grande oportunidade de encontrar na “Brexit” um novo mercado para seus produtos. Em maio último, o Brasil exportou US$ 256 milhões em produtos para o Reino Unido, o que equivale a 1,4% do total de exportações brasileiras no mês, segundo dados do Mistério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Isto é, ainda que o Reino Unido não seja, atualmente, um grande parceiro do Brasil em relações mercantis envolvendo importações e exportações, a autonomia de negociação entre os dois será muito maior daquela supervisionada pelo aporte estrutural e econômico que se valia a União Europeia na intermediação destas negociações.

O empresário nacional que vê na exportação, parte ou a totalidade de seu faturamento, tem a obrigação de ficar atento no termômetro econômico nos próximos dias. As grandes bolsas de valores do mundo operaram em queda após a notícia do resultado do citado referendo, contudo ainda é cedo para podermos diagnosticar e prever qual será o comportamento do mercado internacional a longo prazo.

Nesta senda, é vital que haja uma revisão nas estratégias de investimento ou de transações econômicas que envolvam o Reino Unido e as empresas que lá se situam, para que se evitem prejuízos que poderiam ter sido calculados e evitados se identificados a tempo.

Em tempos de incertezas políticas e econômicas nacionais, a saída do Reino Unido da União Europeia apenas corrobora com a real necessidade do empresário nacional estar preparado e afinado com um bom planejamento estratégico, a fim de que se eliminem os temidos sustos evitáveis.

Trata-se da história mundial sendo escrita, televisionada e compartilhada aos olhos de todos nós, entretanto, só o tempo irá dizer se o empresário e a exportação nacional já podem contar com um final feliz.

(*) – É advogado e líder do Task Force de TI, Importação e Exportação do escritório A. Augusto Grellert Advogados Associados.

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