Os drones estão chegando

Patricia Travassos (*)

Em janeiro a Anac concedeu a primeira certificação para uma empresa brasileira, a Speedbird, operar naves não tripuladas para entregas em caráter comercial.

A certificação atesta e valida as aeronaves da empresa como modal logístico, o que significa que podem ser utilizadas na oferta do serviço de Drone as a Service (DaaS) no mercado brasileiro. Na prática, isso significa o início de uma nova era na oferta desse tipo de serviço no Brasil.

Estamos deixando para trás os projetos pilotos e os testes e entrando de cabeça em uma realidade onde os drones poderão voar em qualquer lugar do território brasileiro realizando serviços de entrega. Daqui para frente, deve se tornar cada vez mais comum assistirmos o uso de drones em serviços de entregas operados em diferentes setores, da entrega de alimentos à entrega de exames laboratoriais.

Pouco depois de ser certificada pela Anac, a Speedbird anunciou que deve captar R$ 35 milhões em investimentos que devem ajuda-la a viabilizar um novo modal logístico que, em última instância, vai contribuir para a redução da emissão de carbono, otimizar a cadeia logística e reduzir custos de transporte, benefícios que ela já vinha apurando em testes realizados com empresas como Ambev, iFood, Laboratórios Hermes Pardini e Natura.

Mais que os planos de uma empresa, estamos assistindo o nascer de um setor que tem muito a se desenvolver no Brasil e que já está em franco desenvolvimento no mundo. O estudo Drone Market Report 2021 — 2026, realizado pela Droneii (Drone Industry Insights), aponta que os negócios com drones em todo o mundo devem saltar de US$ 26,3 bilhões em 2021 para US$ 41,3 bilhões em 2026, o que representa uma taxa de crescimento de 9,4% ao ano, o que não é pouco nos dias de hoje.

Ainda segundo a Droneii, esse mercado deve se dividir em três segmentos: serviços, hardware e software. O de serviços, como o que estamos vendo surgir no Brasil, promete ficar com a maior fatia, com faturamento de US$ 32,2 bilhões em 2026, ou quase 80% deste mercado. Os outros segmentos devem ficar com 16,4% (hardware) e 4,3% (software).

Entre as áreas de maior crescimento no uso de drones, o estudo aponta, claro, Carga, Transporte, Logística Interna e Armazenagem como as de maior crescimento, chegando a 24,5% de crescimento anual entre 2021 e 2026. Outras áreas apontadas são Energia, Construção e Agricultura. Olhando para o mundo, o estudo constata que o maior crescimento no uso de drones em escala comercial deve vir da Índia, com taxas em torno de 20% ao ano.

Na América do Sul, o Brasil desponta como o principal mercado, com faturamento no ano passado estimado em US$ 373 milhões. Por aqui, a expectativa de crescimento é de 11,3% ao ano, o que nos mantêm como o maior mercado da região e com taxas de crescimento acima de mercados maiores, como os Estados Unidos (6,8%) e a China (9,7%). O primeiro passo para esse crescimento já foi dado pela Anac e deve servir como estímulo para que outras empresas comecem a se interessar pelo ecossistema que será criado em torno destas máquinas voadoras.

Um exemplo são os pilotos de drones, categoria que, apesar de nova, já requer profissionalização e licença junto a órgãos reguladores. O Brasil tem hoje cerca de 60 mil controladores de drones cadastrados na Anac. É apenas o começo de um movimento que, nos próximos anos, vai envolver empresas, startups, empreendedores e investidores e que devemos acompanhar bem de perto.

(*) – É diretora de criação da Prosa Press e colunista de tecnologia e inovação da CNN Brasil.

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