Oportunidades e desafios na rede global de suprimentos

Fernando Valente Pimentel (*)

A conjunção da tecnologia com as atuais políticas de relações internacionais cria novos desafios e oportunidades para a indústria têxtil e de confecção na região.

Em termos mercadológicos, há toda uma transformação em curso, na esteira do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que ainda deverá demandar cerca de três anos para sua efetiva ratificação, além do tratado bilateral já firmado com o EFTA e das negociações em curso com o Canadá, Coreia do Sul, Cingapura, Japão, México e Estados Unidos.

Nesse cenário emergente, serão abertas novas oportunidades de prospecção e crescimento da produção, venda interna e exportação de têxteis e confeccionados, num eixo regional com grande potencial de crescimento e consolidação no contexto global. Obviamente, os países da Ásia seguem e continuarão fortes nesse mercado, tanto em termos de produção quanto de consumo.

Porém, alterações advindas da geopolítica mundial poderão abrir espaços para novos ofertadores na rede global de suprimentos, que tem valorizado as questões relacionadas ao compliance em sua abordagem mais ampla. As novas tecnologias favorecem a exploração competitiva dessas oportunidades, já caminhando rumo a Quarta Revolução Industrial.

Cresce o emprego de novos materiais, processos, canais comerciais, técnicas de gestão e a hibridização de produtos e serviços, transformando toda a estrutura fabril. Inéditas tecnologias de produção e interfaces entre consumidores e fabricantes estimularão novos modelos de negócio. Pequenas indústrias, independentemente de sua relação com o varejo, poderão explorar meios próprios de venda, não necessariamente próximos de sua localização geográfica.

A multiplicidade de produtos com tecnologias vestíveis e o emprego de biotecnologia e de modernos materiais poderão ampliar a demanda por têxteis inteligentes e funcionais. É importante salientar que no Brasil esses avanços são simultâneos à preocupação com a sustentabilidade econômica, social e ambiental, que se torna forte diferencial competitivo num contexto de consumo pautado por cidadãos cada vez mais proativos e demandadores de práticas éticas e ecológicas bem estabelecidas.

No Brasil, de modo específico, onde o setor têxtil e de confecção já se movimenta na direção da economia digital, há outros fatores favoráveis à prospecção competitiva das oportunidades que poderão ser abertas pela nova geopolítica internacional: são 27,5 mil empresas e 1,5 milhão de postos diretos de trabalho.

Estamos entre os maiores produtores e consumidores de produtos têxteis e confeccionados do mundo, contando com uma indústria integrada, desde o cultivo do algodão e produção de fibras naturais, artificiais e sintéticas, até a fabricação de produtos finais, passando pelas fiações, tecelagens, design avançado e incorporação crescente de tecnologia e sustentabilidade nos produtos e serviços.

O grande desafio brasileiro e de parte expressiva das nações sul-americanas é promover ganhos de competitividade, reduzindo impostos, burocracia, insegurança jurídica, gargalos da infraestrutura e outros fatores que oneram os setores produtivos, como políticas de juros e câmbio nem sempre condizentes com as metas de crescimento substantivo do PIB.

De maneira geral, existem movimentos para solucionar esses entraves, sem o que não teremos êxito no aproveitamento das oportunidades que estão surgindo e ainda corremos o risco de perder mercados, externos e interno, para concorrentes de outras regiões. É preciso superar tais obstáculos para potencializar as novas perspectivas que vão despontando no horizonte das novas relações internacionais.

(*) – É presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

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