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O poder da escolha começa com dados confiáveis

em Artigos
quarta-feira, 02 de setembro de 2026

João Carlos de Oliveira (*)

Dados confiáveis se tornaram um dos pilares da decisão de compra no varejo contemporâneo. Em um ambiente marcado pela multiplicidade de canais, pela abundância de informação e por consumidores cada vez mais atentos, a qualidade dos dados passou a  influenciar diretamente a forma como produtos são encontrados, comparados e escolhidos.

Nos últimos anos, a jornada de consumo ficou mais complexa. O consumidor pesquisa mais, cruza informações e dedica tempo para entender melhor aquilo que está comprando. O preço continua relevante, mas já não é o único fator considerado. Características do produto, procedência, composição e até impacto ambiental passaram a ter peso real na decisão.

Esse movimento ampliou o papel da informação dentro do processo de compra. Quando os dados são claros e padronizados, o consumidor consegue comparar alternativas com mais segurança. A decisão deixa de ser baseada apenas em percepção ou impulso e passa a se apoiar em informações objetivas. Isso torna a escolha mais consciente e fortalece a relação de confiança entre marcas, varejo e clientes.

A qualidade das informações também influencia diretamente a operação do varejo. Sistemas alimentados por dados consistentes melhoram a gestão de estoques, ajudam a reduzir rupturas e contribuem para uma experiência de compra mais fluida.

Essa consistência ganha ainda mais relevância em um ambiente cada vez mais integrado. Hoje o consumidor transita naturalmente entre loja física, e-commerce e marketplaces. Quando as informações são diferentes em cada canal, seja na descrição de um produto, na especificação técnica ou até na identificação de um item, a experiência se fragmenta e a confiança se perde.

No centro dessa discussão está algo que muitas vezes passa despercebido pelo consumidor final, mas sustenta boa parte da engrenagem do varejo moderno. A governança dos dados.

À medida que o setor avança em digitalização, a gestão estruturada da informação deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a ocupar espaço na estratégia das empresas.

Dados organizados também ampliam a capacidade de leitura do mercado. Com informações consistentes, as empresas conseguem identificar padrões de consumo, compreender melhor as preferências do público e ajustar estratégias com mais precisão. A tomada de decisão deixa de depender exclusivamente de percepção e passa a considerar evidências concretas.

Na minha visão, esse é um dos pontos mais relevantes da transformação digital no varejo. Muitas vezes o debate se concentra em novas tecnologias, plataformas ou ferramentas. No entanto, tudo começa pela qualidade da informação que alimenta esses sistemas. Sem dados confiáveis, qualquer tecnologia perde eficiência.

O avanço de ferramentas de busca, os aplicativos de comparação de preços e as plataformas digitais reforça ainda mais essa realidade. Todos esses recursos dependem de bases de dados consistentes para apresentar resultados relevantes ao consumidor. Quando a informação de origem apresenta falhas, todo o processo de decisão acaba sendo impactado.

A qualidade dos dados precisa ser encarada como um ativo estratégico. Informações bem estruturadas sustentam operações mais eficientes, fortalecem a confiança do consumidor e ampliam a capacidade de análise do mercado.

Escolher sempre fez parte do ato de consumir. A diferença é que hoje a qualidade dessa escolha está diretamente ligada à qualidade da informação disponível. Quanto mais confiáveis forem os dados, maior será a autonomia do consumidor e mais inteligente se torna a forma como o varejo responde a esse novo comportamento.

(*) João Carlos de Oliveira é presidente da Associação Brasileira de Automação – GS1