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O novo papel da arquitetura na formação de patrimônio

em Artigos
sexta-feira, 06 de março de 2026

Marcelo Nyitray (*)

O mercado imobiliário global atravessa um ciclo de profissionalização acelerada. Pressão por eficiência, previsibilidade de custos, governança técnica e retorno sobre investimento passaram a orientar decisões que antes eram predominantemente estéticas. Nesse contexto, a arquitetura deixou de ser apenas linguagem visual e passou a integrar a lógica de criação de valor patrimonial.

Projetar hoje é tomar decisões estratégicas. Envolve estruturar modelos de negócio, antecipar riscos, controlar custos e dialogar com mercados distintos. No segmento de alto padrão, essa lógica é ainda mais clara. O cliente não busca apenas uma residência. Busca proteção de valor, identidade, segurança jurídica e visão de longo prazo. Cada decisão de projeto impacta diretamente valor de mercado, liquidez futura e desempenho construtivo. Arquitetura, nesse cenário, não é custo. É ativo.

Minha trajetória me levou a ampliar o papel do arquiteto para além da concepção formal. A atuação contemporânea exige domínio de normas nacionais e internacionais, leitura rigorosa de códigos construtivos, antecipação de riscos e controle técnico de custos. O uso de BIM tornou-se elemento central de governança, previsibilidade e redução de falhas em projetos complexos.

Essa evolução profissional se constrói ao longo dos anos. Com a maturidade, passei a participar das decisões de investimento e estruturação dos empreendimentos desde a origem. Arquitetura e estratégia deixaram de operar em esferas separadas. Hoje, caminham juntas na consolidação patrimonial dos clientes.

À frente da MFALCÃO Arquitetura e Construtora, construí uma base autoral apoiada na leitura do espaço, na relação com clima, luz e paisagem. Essa identidade criativa permanece central. Ao mesmo tempo, o mercado americano oferece escala, previsibilidade regulatória e ambiente econômico mais favorável para projetos de alto padrão. A expansão para os Estados Unidos não foi geográfica. Foi estratégica.

Atuar em ambiente internacional exige elevar processos, refinar métodos, ampliar governança e operar com mentalidade global. Incorporar referências culturais distintas, desenvolver novas técnicas e entregar soluções exclusivas com eficiência construtiva passou a ser parte da estratégia de posicionamento.

A integração de uma empresa de marcenaria ao grupo ampliou o controle sobre qualidade, personalização e acabamento, fortalecendo o posicionamento no segmento premium. Vejo esse movimento como a convergência entre criatividade brasileira e estrutura operacional americana.

A abertura de um escritório nos Estados Unidos materializa uma visão construída ao longo de anos. Arquitetura como liderança estratégica, integrada à construção, ao controle de custos e à gestão executiva. É também o reflexo de uma trajetória que se iniciou no interior de São Paulo, avançou pelas capitais brasileiras e agora se projeta no mercado americano, com foco inicial na Flórida.

Não se trata de exportar arquitetura. Trata-se de exportar visão. O arquiteto que compreende mercado, investimento e posicionamento deixa de apenas desenhar espaços. Passa a construir valor patrimonial e legado.

(*) Arquiteto e urbanista.