Negócios na cadeia produtiva para reativar a competitividade

Wilham Krause (*)

O Brasil precisa sair da inércia. A espera pelas reformas que ainda não vingaram tem travado investimentos de todos os setores da economia.

Mas por que esperar para reativar nossa competitividade se já se sabe que as reformas representam apenas um dos inúmeros passos que o país precisa dar para retomar sua força econômica? A urgente desburocratização e a redução do custo da máquina Brasil ocupam o primeiro lugar da agenda de prioridades do país. A questão da competitividade do Brasil tem reflexos na não dependência do mercado interno.

Esperar pelo resultado das reformas não altera o cenário econômico atual, só aumenta as perdas de negócios. Uma série de ações podem ocorrer para devolver a competitividade, a partir de mecanismos já existentes no país. As exportações, por exemplo, continuam oferecendo oportunidades que podem e devem contribuir para a saúde das empresas, porém, a utilização desses benefícios ainda estão aquém do que se espera.

Para atrair novos investidores, os exercícios para reduzir custos não encontram fonte melhor do que um olhar minucioso para os pagamentos de impostos. Em uma realidade onde cada centavo reduzido nos custos de produção pode garantir a sobrevida é fundamental olhar para a gestão tributária de forma integrada.

As principais oportunidades estão dentro da sua própria cadeia de fornecimento. Para acessá-las, é preciso conhecer profundamente as áreas de negócio envolvidas em todo o processo e, principalmente adotar a estratégia de colaboração de negócios como um vetor importante das relações comerciais das empresas. Essa visão atrai resultados que aumentam a competitividade da empresa e, consequentemente, dos seus fornecedores de forma sustentável e agregando valor estratégico aos negócios.

A indústria automobilística, por exemplo, que opera com uma cadeia complexa e gigante, a gestão estratégica de benefícios fiscais na visão ampliada por toda a cadeia produtiva pode contribuir com a redução de 2% a 5% os custos de produção. Estes resultados contribuem para melhoria da competitividade, principalmente em um cenário internacional, para acesso à novos mercados e aumento de volumes.

Nos diversos segmentos é notório que há muito espaço para se implementar estes modelos de negócios colaborativos. Mesmo diante das atuais dificuldades, somente 20% das 22 mil empresas exportadoras produzindo aqui no país tem feito uso dos principais benefícios que o governo garante ao exportador. As demais 17 mil empresas ainda exportam com o custo Brasil bruto.

A redução de impostos deve ser uma busca contínua dentro das empresas. É mandatório nos dias de hoje. Portanto, considerar toda a cadeia pode ser a melhor e mais inovadora estratégia que para diminuir custos e subir os degraus da competitividade. É dividir para multiplicar! Por todas essas razões, esperar as reformas saírem do papel não cabe nas prioridades das empresas brasileiras.

Aquelas que despertarem primeiro para as oportunidades já disponíveis vão estar passos à frente e viverão os desdobramentos políticos como causa e não consequência.

(*) – É diretor da Becomex (www.becomex.com.br).

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