Inteligência, à mão, na gestão dos dados

Walter Koch (*)

Afirmo sem qualquer exagero: as grandes corporações vivem hoje um caos da informação, que cresce a uma velocidade vertiginosa.

O volume de dados que manuseiam deverá se multiplicar por 4,5 até 2023. É o que mapeou este ano Association for Intelligent Information Management (AIIM), em sua terceira pesquisa sobre a indústria do gerenciamento inteligente de dados, divulgada neste ano. A verdade é que, algo que era relativamente simples, como cruzar dois dados de diferentes bases, é hoje um nervo exposto em grande parte das empresas.

Nesse cenário, talvez o maior desafio da alta gestão de qualquer negócio, seja garantir – com agilidade e facilidade – o acesso de seus colaboradores e parceiros ao gigantesco e crescente volume de dados em seus inúmeros formatos – mensageria, fotos, vídeos, imagens, áudios, textos, planilhas, mídias sociais, só para citar alguns.

Como consequência, o segundo maior desafio provavelmente seja o de gerir essa massa de informações para dela extrair vantagens competitivas, insights e embasamento para empoderar decisões de negócio – tudo com segurança e compliance. A AIIM debruçou-se sobre essa dor corporativa em sua última pesquisa. E descobriu que os executivos ouvidos sobre como viam o acesso que têm aos dados deram a nota 1,64 (numa escala de um a cinco) às empresas onde trabalham.

Da mesma forma, a nota dada pela alta gerência em relação a como enxergam o alinhamento dos negócios que conduzem com a tecnologia – numa escala de 1 a 4 – foi de 1,73. São notas pífias. Causa espanto, pois indicam que alta gerência das corporações – no Brasil e no mundo – ainda se sente desconfortável para patrocinar as mudanças drásticas que poderiam resultar das tecnologias de gerenciamento inteligente da informação.

Pior. Revela que as corporações ainda se expõem ao risco de infringir a Lei Geral de Proteção de Dados – ou outras semelhantes em outros países – por não saberem quais dados têm em casa, onde estão, como cruzá-los, quem tem autorização para acessá-los, por quanto tempo e se estão em conformidade com as exigências legais.

Estamos falando da gestão do ciclo da informação – dados que precisam ser acompanhados desde que são, pela primeira vez, registrados, até o momento do seu descarte obrigatório, em função de exigências regulatórias ou legais. E por quê? O motivo para isso é um só: boa parte das lideranças empresariais desconhece essas obrigações e as complexidades que lhes são inatas.

Assim, quase que como uma consequência obrigatória, as áreas de negócio também deixam de demandar soluções de última geração, pois tampouco têm conhecimento sobre o real poder que a informação traz às suas decisões e rotinas, ou sobre o risco de se sentarem sobre um manancial de dados cuja vida legal já expirou.

Esse ciclo vicioso precisa ser quebrado. Ou as notas dadas pelos e aos executivos continuarão sendo desprezíveis. A verdade é que, se as altas esferas da direção ainda não entenderam que o ativo “informação” é crítico, é natural que os profissionais especializados tampouco as vejam como valiosas. E, por isso mesmo, é que eles abrem mão de demandar as tecnologias que têm o poder de transformar corporações.

É importante ter em conta que já não é mais possível organizar, gerenciar, recuperar ou ter compliance no manejo da informação com base nos preceitos da velha escola. Ou, em outras palavras, “à mão”, sobre o joelho, em uma planilha excel. É chegada a hora da automação de todos esses processos, e de os gerenciar com inteligência.

É aqui reside a boa notícia. Os recursos de inteligência artificial estão mais acessíveis do que nunca. Muitos, inclusive, encontram-se ao alcance da prateleira mais próxima. Basta ajustar a Arquitetura da Informação e dar o primeiro passo. Afinal, IA (Inteligencia Artificial) precisa de AI (Arquitetura da Informação).

(*) – É fundador da Imageware, homenageado como membro fellow da Association for Intelligent Information Management (AIIM) em 2021.

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